Caixas automáticos em 2026: como está a evoluir a indústria dos pagamentos em dinheiro

Os caixas multibanco continuam a ser uma parte integrante da infraestrutura financeira global, apesar do crescimento acelerado dos pagamentos digitais. Em 2026, a indústria enfrentou um paradoxo: o número de caixas instalados diminui, mas os volumes de transações permanecem estáveis, especialmente nos mercados emergentes. Esta dinâmica revela mudanças profundas na forma como as pessoas interagem com o dinheiro em espécie e os serviços financeiros na era digital.

Mercado de serviços: consolidação e crescimento

O mercado global de serviços geridos de caixas multibanco demonstra um crescimento sustentado, apesar da redução do número de instalações. Em 2025, o mercado foi avaliado em 9,36 mil milhões de dólares, atingindo 10,19 mil milhões de dólares em 2026. Os analistas prevêem um crescimento anual de 8,9% até 2030, quando o mercado ultrapassará os 14 mil milhões de dólares. Este paradoxo explica-se com a mudança para modelos de terceirização da gestão operacional dos caixas, permitindo reduzir custos e aumentar a eficiência.

Infraestrutura global: contração com ritmo variável

O número de caixas multibanco ativos em todo o mundo caiu para 2,91 milhões — uma diminuição de 1,4% a 1,8% ao ano. Contudo, esta redução não é uniforme. A região Ásia-Pacífico mantém-se como líder, com mais de 1,4 milhões de instalações (cerca de 50% do parque global). A América do Norte enfrentou uma redução mais acentuada de 5%, enquanto África e Índia registam tendências opostas — aumento de 10% e 6%, respetivamente.

As economias desenvolvidas enfrentam a maior redução: a Europa Ocidental registou uma queda de 7,5%, e a Suécia, símbolo de uma sociedade sem dinheiro em espécie, reduziu o uso de caixas multibanco em 82% na última década. Por outro lado, as economias em desenvolvimento continuam fortemente dependentes de dinheiro em espécie — 84% das transações dos consumidores nestes países ainda envolvem dinheiro físico.

Transformação tecnológica: da biometria à criptomoeda

Os caixas multibanco não desaparecem, evoluem. Inovações tecnológicas mudam fundamentalmente as capacidades dos caixas tradicionais. Cerca de 16% de todos os caixas em 2026 suportam autenticação biométrica, incluindo reconhecimento facial e impressões digitais. As transações contactless via NFC cresceram 19,4%, refletindo uma mudança de prioridades para maior higiene e conveniência.

Os caixas de criptomoedas adicionaram cerca de 10.800 novas instalações, elevando o total para 39.800 unidades em todo o mundo. O maior operador, a Bitcoin Depot, controla 9.325 dispositivos (23,5% do mercado de caixas de criptomoedas), seguido pela CoinFlip com 5.693 instalações e a Athena Bitcoin com 3.967. Os caixas de criptomoedas processaram mais de 1,4 mil milhões de dólares em transações, com crescimento anual superior a 35%.

Os caixas híbridos, que integram funções de dinheiro em espécie, digital e criptomoedas, representam 26,5% do mercado global. Os caixas com suporte para levantamentos móveis sem cartão físico atingiram 30% do total de instalações (crescimento de 10 pontos percentuais face ao ano anterior). Instalações ecológicas solares representaram 22% das novas implantações, expandindo o acesso a regiões remotas.

Contrastes regionais no uso

O volume global de transações por caixas multibanco atingiu 86,7 mil milhões de operações, mas o valor médio de levantamento aumentou 3,3%, para 157 dólares — sinal de que os utilizadores fazem levantamentos maiores com menor frequência. A frequência de visitas aos caixas caiu 11,2%, mas 87% de todas as operações ocorrem fora do horário bancário tradicional, destacando a importância do acesso 24 horas.

Nos países em desenvolvimento, a situação é radicalmente diferente. Na Índia e no Brasil, 73% da população utiliza caixas multibanco mensalmente, tendo sido levantados mais de 13,6 trilhões de dólares através da rede em 2026. A América Latina registou um crescimento de 7% nas transações, impulsionado pela instabilidade económica e preferência por dinheiro em espécie em países como Brasil e Argentina. Países do Médio Oriente, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, notaram aumentos de 8% nos levantamentos.

Pressão da concorrência digital

O crescimento dos sistemas de pagamento digital exerce uma pressão desigual sobre os caixas tradicionais. Nas grandes economias desenvolvidas, o uso diminuiu 5,7% devido à expansão dos pagamentos móveis. Aplicações de pagamentos P2P, como Venmo e Zelle, reduziram as visitas aos caixas em 22% entre a geração Z. Os pagamentos contactless via Apple Pay levaram a uma diminuição de 10,8% nos levantamentos em países desenvolvidos. Os pagamentos por QR code cresceram 19,5% globalmente, substituindo ainda mais a procura por dinheiro em centros urbanos.

Contudo, o panorama global mantém-se misto. Cerca de 30% de todas as transações de consumidores continuam a usar dinheiro em espécie. Na África, mais de 80% das operações permanecem em numerário, demonstrando que a digitalização não é uniforme mundialmente. Na Alemanha, apesar do avanço tecnológico, 75% das transações no ponto de venda ainda utilizam dinheiro físico.

Evolução da segurança e desafios

As perdas globais por fraude através de caixas multibanco permanecem um problema sério, embora tenham diminuído ligeiramente para 1,5 mil milhões de dólares. As fraudes por skimming representam 77% de todos os incidentes, apesar da implementação progressiva de chips EMV. A segurança biométrica, presente em 16% dos caixas, atua como fator dissuasor de acessos não autorizados. A encriptação ponta-a-ponta está presente em 68% das novas instalações, tornando-se um padrão crítico de proteção de dados dos clientes.

Dispositivos modulares de fabricantes como NCR e Diebold Nixdorf reduziram o tempo de inatividade em 32%, simplificando ciclos de manutenção e atualização de segurança. A videovigilância através dos caixas aumentou 13,6%, permitindo que os funcionários bancários prestem suporte remoto e atendimento personalizado.

Estrutura do mercado global

Os caixas internos, localizados em agências, dominam, representando 43% do mercado de serviços. As instalações externas em centros comerciais, aeroportos e lojas representam 37%. Os caixas em locais de trabalho constituem 13%, enquanto as implantações móveis desempenham um papel modesto, mas importante, com 7%.

A ATM como serviço (ATMaaS) cresceu 16,4%, permitindo que pequenas instituições financeiras acedam a caixas sem custos de capital de infraestrutura. As instalações contactless atingiram 42% de todas as novas implantações, respondendo à procura por transações higienizadas baseadas em NFC.

Perspetivas para o futuro

A indústria de caixas multibanco encontra-se numa encruzilhada entre tradição e inovação. O número de instalações pode continuar a diminuir nos países desenvolvidos, mas os mercados emergentes e as inovações tecnológicas garantem a viabilidade a longo prazo do setor. Programas piloto de moedas digitais centrais (CBDC) expandiram-se para 18 países, acelerando a transição do dinheiro físico. Contudo, considerando a profunda integração do dinheiro em espécie nas economias dos países em desenvolvimento e o papel contínuo dos caixas na inclusão financeira, o setor permanece longe de estar obsoleto.

Os caixas multibanco continuarão a evoluir, tornando-se nós multifuncionais que conectam o banking tradicional com criptomoedas e pagamentos digitais. O seu futuro não depende de serem substituídos por sistemas digitais, mas de se adaptarem a um panorama financeiro híbrido, onde dinheiro em espécie, pagamentos digitais e criptomoedas coexistem numa única ecossistema.

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