Há mais de mil anos, as pessoas procuram maneiras de usar a sabedoria coletiva para apostar no futuro. Na Grécia Antiga, tokens personalizados eram usados em sistemas de votação, e jurados escolhiam entre pedras sólidas ou furadas para expressar veredictos. É provável que apostas paralelas também ocorressem nos kapeleia, as tavernas da época.
No século XVII, na bolsa de Amsterdã, negociantes apostavam na chegada de navios cargueiros; no século XIX, casas de apostas políticas dominavam as eleições americanas até a proibição nos anos 1940. Também há os futuros de commodities da Chicago Board of Trade. Ou seja, já se sabe há muito tempo que apostar dinheiro em previsões gera sinais informacionais poderosos.
Os mercados de previsão movidos por cripto são o renascimento digital dessa prática antiga—mas com uma diferença fundamental: agora são permissionless, transparentes e globais.
Os mercados de previsão tradicionais exigiam intermediários confiáveis para custodiar apostas, verificar resultados e distribuir prêmios. O cripto elimina esses intermediários com tecnologia blockchain. Ao apostar na Polymarket em questões geopolíticas, macroeconômicas e culturais—como “O Fed vai cortar juros em janeiro?” ou “Quem vence o Oscar de Melhor Filme em 2026?”—sua aposta fica em um smart contract, os resultados são verificados de forma transparente e os pagamentos acontecem automaticamente via USDC. Não é preciso conta bancária, não há restrição geográfica e não existe intermediário cobrando taxas ou limitando o acesso.
Outro gigante do setor, a Kalshi, concentra 90% de seus mercados em esportes, com temas como “Vencedor do PGA Famers Insurance Open” e “Basquete Universitário Kent State vs. Akron”. Já a Novig, outro mercado em ascensão, atua exclusivamente em esportes.
Com volume de negociações de sete dias de US$ 3,9 bilhões, os mercados de previsão estão decolando, impulsionados pelo amadurecimento regulatório, integração com TradFi e avanços de infraestrutura.
O destaque regulatório fica para as aprovações da CFTC, que permitiram operações nos Estados Unidos. Em julho de 2025, por exemplo, a Polymarket adquiriu a exchange de derivativos licenciada pela CFTC QCX, LLC e a clearinghouse QC Clearing LLC. Isso permite que os negociadores atuem na Polymarket com contratos de previsão com confiança e clareza. O aporte de US$ 1 bilhão da Kalshi em dezembro, a um valuation de US$ 11 bilhões, também comprova a confiança institucional. No geral, a clareza regulatória está liberando capital institucional e acesso ao varejo por meio de corretoras estabelecidas.
Além disso, com o investimento de US$ 2 bilhões da Intercontinental Exchange (ICE) na Polymarket, a ICE também se tornará distribuidora global de dados de eventos da Polymarket, sinalizando a integração TradFi nos mercados de previsão.
Parcerias fortalecem a integração. A colaboração plurianual da Polymarket com a TKO Group Holdings faz da plataforma parceira oficial e exclusiva do UFC e da Zuffa Boxing. Isso viabiliza a fusão direta da tecnologia dos mercados de previsão com experiências ao vivo para fãs.
Kalshi firmou parcerias com CNN e CNBC para 2026, permitindo que espectadores vejam probabilidades em tempo real nos tickers das notícias. Polymarket e Kalshi também fecharam acordos com o Google. Empresas que entram no setor por meio de parcerias e aplicativos próprios incluem Robinhood, Fanatics e Coinbase. Os três bilhões de contratos de eventos negociados nos mercados de previsão da Robinhood em novembro de 2025 (+20% mês a mês) demonstram a adoção em massa pelo varejo.
Avanços técnicos permitiram rupturas de infraestrutura, como expansões multi-cadeia com Polygon, Solana, Base e Gnosis Chain; integrações de oráculos de IA para liquidação permissionless instantânea; e modelos híbridos AMM/livro de ordens, que reduzem atritos e ampliam liquidez. Em contraste, plataformas como a Augur enfrentaram dificuldades quando a tecnologia e a regulação ainda não estavam maduras.
Embora a Polymarket ainda seja dominante, ela deve continuar enfrentando concorrentes, oferecendo mais opções aos usuários. Em 2025, doze organizações solicitaram ou conquistaram designação como mercados de contratos (DCMs), um aumento de 500% em relação ao ano anterior. Outras empresas buscam parcerias com DCMs como futuros comissários para ofertar serviços de mercado de previsão.
Comparativo rápido entre Polymarket e Opinion:
Métricas da Polymarket em 30 dias até 3 de dezembro de 2025:
Open interest: US$ 247,1 milhões
Métricas da Opinion em 30 dias até 3 de dezembro de 2025:
TVL cresceu +110% em 30 dias (de US$ 30 milhões para US$ 63 milhões)
Efeitos de rede e dinâmicas de “o vencedor leva quase tudo” atraem capital de crescimento, pois essas plataformas oferecem diversificação escalável em relação a derivativos e apostas tradicionais. Estratégias de monetização vão além das taxas e incluem licenciamento de dados, como probabilidades em tempo real para veículos de mídia, terminais financeiros e outros; integrações de API com plataformas sociais e aplicativos; e, para empresas como a Robinhood, a oportunidade de cross-sell de serviços financeiros principais.
Traders estão migrando para mercados de previsão que oferecem especulação mais estruturada, servindo como instrumentos de hedge e fontes de alpha para portfólios DeFi. À medida que probabilidades em tempo real superam pesquisas tradicionais em previsões políticas e econômicas, essa migração tende a se expandir para outros contratos de eventos.
Embora tenha ganhado notoriedade inicialmente com previsões políticas, a Polymarket não se limita a esse nicho. Os mercados com maior open interest incluem:

Novas iniciativas incluem a parceria da Crypto.com com a Hollywood.com para lançar um mercado de previsão de entretenimento, focado em filmes, séries, teatro, atores, músicos e premiações. A Limitless oferece mercados de previsão de curto prazo, com foco em preços de cripto e ações; trata-se de um projeto X/Twitter apoiado por Coinbase e 1confirmation.
Os mercados de previsão enfrentam desafios como riscos de centralização, manipulação em modelos tradicionais de oráculo e atrasos na liquidação em sistemas de reporte manual.
Persistem zonas cinzentas regulatórias, como debates sobre a classificação de apostas esportivas. Em novembro de 2025, a Kalshi recebeu decisão de um juiz de Nevada classificando a plataforma como jogo, sujeita à regulamentação estadual. A Kalshi defende ser uma bolsa financeira regulada federalmente, que utiliza contratos derivativos legais com swaps de contratos de eventos, e não apostas. Após a decisão, a Kalshi iniciou o processo de apelação. Situação semelhante ocorre em Massachusetts.
Independentemente do desfecho, ainda há questões a resolver, como restrição de idade e preocupações adicionais com jogo responsável. A arbitragem regulatória internacional também pode ser um fator limitante.
Riscos de manipulação de mercado que exigem atenção incluem influência de grandes players em mercados de baixa liquidez, wash trading e manipulação de preços em ambientes descentralizados, além dos trade-offs entre transações permissionless e integridade de mercado.
Os formatos de mercado estão evoluindo, com a criação de mercados de previsão perpétuos para resultados contínuos, mercados combinatórios para eventos complexos multivariáveis e mecanismos de bonding curve para liquidez dinâmica. Há oportunidades com probabilidades de mercados de previsão como inputs de oráculo para protocolos DeFi; posições tokenizadas permitindo negociação secundária e alavancagem; e integração com estratégias de yield e hedge de portfólio.
Soluções emergentes incluem liquidação instantânea via IA para mercados permissionless, oráculos integrados a exchanges que reduzem front running e appchains com consenso embarcado para garantir integridade de oráculo.
Do nosso ponto de vista, alguns catalisadores devem impulsionar a adoção em breve, como lançamentos de plataformas aprovadas pela CFTC nos EUA via corretoras estabelecidas, integração com redes sociais por meio de APIs de previsão em tweets e mercados integrados a neobancos, unindo finanças e especulação.
Além disso, à medida que os mercados de previsão se tornam uma categoria financeira independente, veremos a verticalização para grandes subcategorias (esportes, negócios etc.). Por exemplo, mercados de previsão como a Novig estão criando experiências hiperpersonalizadas para apostadores esportivos. Conforme o comportamento do consumidor se normaliza, esses mercados verticalizados devem oferecer experiências superiores às plataformas generalistas.
Nos próximos um a três anos, mercados de previsão focados em privacidade podem adotar provas de conhecimento zero, enquanto aplicações de governança como futarquia e decisões baseadas em resultados podem se desenvolver.
Podem surgir obstáculos, como restrições regulatórias que limitem o acesso global ou o escopo dos produtos, fadiga de usuários caso os mercados não tragam ganhos de precisão e concorrência de plataformas tradicionais migrando para blockchain.
Com a integração avançando, vemos impactos sociais positivos: inteligência coletiva para alocação de recursos e decisões políticas, previsão descentralizada como infraestrutura pública e a transição de pesquisas para mercados de probabilidade participativos em mídia e governança.
A dúvida não é se os mercados de previsão vão escalar, mas quantos existirão e quais modelos vão capturar a oportunidade de trilhões de dólares ao precificar incertezas reais on-chain, complementando a inteligência humana e a previsão.
BitGo estreia com valuation de US$ 2,59 bilhões enquanto janela de IPO cripto reabre
A BitGo recebeu aprovação de um dos principais reguladores dos EUA, em dezembro, para converter sua licença de banco fiduciário estadual em nacional, permitindo atuação em todo o território americano. Um especialista citado no artigo classificou o IPO da BitGo como “primeiro grande termômetro do apetite do mercado por listagens cripto em 2026”.
UBS avalia investimentos em cripto para clientes privados selecionados
O banco suíço permitirá inicialmente que clientes selecionados comprem e vendam Bitcoin e Ether, podendo futuramente expandir o serviço para Ásia-Pacífico e Estados Unidos. O foco crescente do banco em cripto reflete a demanda cada vez maior de clientes de alta renda por ativos digitais.
O Brasil está simplificando processos para bancos e corretoras entrarem no setor de ativos digitais, enquanto a gestora colombiana Proteccion planeja lançar um produto de investimento em Bitcoin. A Proteccion busca aproveitar o forte interesse local em cripto.
SEC arquivará processo contra Gemini por empréstimos cripto
A empresa chegou a um acordo com o Departamento de Serviços Financeiros de Nova York. Os clientes receberão 100% de seus ativos cripto.
Binance busca licença MiCA da UE com subsidiária grega
A maior exchange de cripto do mundo agora tem presença na Grécia e busca uma licença que permitirá atuar em toda a União Europeia. O foco da Binance na Grécia se deve ao ambiente regulatório robusto e à economia que cresce acima da média da UE.
Vietnã: inscrições para licenças do mercado de criptoativos começam em 20 de janeiro
Cerca de dez bancos e corretoras manifestaram planos de oferecer serviços de exchange cripto assim que licenciados pela autoridade reguladora da Comissão de Valores Mobiliários do país.
Solana Foundation firma parceria com Hanwha para expandir mercado cripto na Coreia
Com a Hanwha Asset Management acelerando sua estratégia de ativos digitais na Coreia do Sul, as duas partes assinaram um memorando de entendimento. Os objetivos são fortalecer o ecossistema local da Solana e impulsionar produtos blockchain para instituições.
ARK Invest solicita ETFs de índice cripto CoinDesk 20 à SEC
O movimento marca a primeira iniciativa da empresa para ampla exposição cripto via ETFs que seguem o desempenho diário do índice CoinDesk 20. Um fundo combinaria Bitcoin com grandes altcoins, enquanto o outro mesclaria futuros longos de índice com futuros short de Bitcoin.
A fundação está apoiando o fortalecimento de uma função hash-chave, acrescentando o Prêmio Poseidon de US$ 1 milhão ao Prêmio Proximity de US$ 1 milhão do ano anterior para pesquisas criptográficas mais amplas.
Pantera Wrapped - Retrospectiva de 2025
2025 reforçou que o cripto nunca segue uma linha reta. Em meio a ventos favoráveis históricos e avanços regulatórios relevantes nos EUA, os mercados atingiram máximas históricas, as narrativas mudaram e o ritmo foi ajustado várias vezes. Apesar de o ano ter terminado abaixo das máximas, marcou o reinício necessário para a indústria buscar verdadeiro crescimento exponencial.
Carta Pantera Blockchain: Perspectiva de mercado para 2026
Cosmo Jiang destaca que “2025 não foi um ano de retornos movidos por fundamentos no mercado cripto. Macro, posicionamento, fluxos e estrutura de mercado foram os principais motores—especialmente para ativos fora do Bitcoin. Analisar a linha do tempo dos principais pontos de inflexão macro e regulatórios do ano ajuda a entender por que o mercado foi tão descontínuo.”
Há mais de uma década, a Pantera apoia a BitGo em sua trajetória, desde carteiras multiassinatura até soluções institucionais completas. O IPO da BitGo reflete a maturidade das finanças modernas à medida que ativos digitais se integram aos mercados globais.





