O assassinato do adolescente Jeremías Monzón reativou um dos debates mais candentes na agenda política argentina: a idade de imputabilidade dos menores de idade. A ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich e o governador de Buenos Aires Axel Kicillof posicionaram-se em lados opostos quanto à questão de se reduzir a idade de responsabilidade penal resolveria os problemas de criminalidade juvenil no país.
Um crime que abalou Santa Fe e reabriu o debate legislativo
Jeremías Monzón, de apenas 15 anos, foi assassinado no final de 2025 em Santa Fe, em circunstâncias que chocaram o país. O jovem foi apunhalado várias vezes por três adolescentes perto do estádio do clube Colón. O que agravou a tragédia foi que os agressores filmaram o crime em vídeo, material que posteriormente foi divulgado nas redes sociais, expondo a extrema violência do ataque.
Segundo dados da investigação, a principal acusada é identificada como M.A., de 16 anos, que era namorada da vítima. Ela foi acompanhada por mais dois jovens de 14 e 15 anos. No vídeo que registraram durante o fato, reclamavam a Monzón que revelasse os nomes de pessoas com quem supostamente tinha compartilhado gravações de uma “festa íntima” do grupo. Essa divulgação teria incomodado a namorada, que organizou o encontro que terminou em tragédia.
A jovem acusada de instigar o assassinato encontra-se detida em um centro fechado para menores em Rosario. No entanto, os dois adolescentes restantes permanecem em liberdade sob custódia de seus pais, pois por sua idade ainda não são penalmente imputáveis segundo a legislação vigente. Essa lacuna legal alimentou o clamor de setores que demandam modificações no regime de responsabilidade penal juvenil.
As mobilizações e o clamor por mudanças legais
A comunidade de Santa Fe e Santo Tomé mobilizou-se para exigir justiça. Os manifestantes também buscavam pressionar o Congresso para que abrisse o debate sobre a alteração da lei que regula a imputabilidade de menores em delitos graves. O advogado da família de Monzón apresentou uma denúncia pela divulgação dos vídeos do crime, enquanto cresciam as vozes que pediam mudanças na normativa.
A escalada política: Kicillof versus Bullrich
Em meio a esse contexto, o ministro da Segurança de Buenos Aires, Javier Alonso, escreveu um artigo argumentando que modificar a idade de imputabilidade “não resolve nada por si só”. O governador Kicillof compartilhou o texto em suas redes sociais com uma mensagem na qual sustentava que, embora “seja necessário um novo Regime de Responsabilidade Penal Juvenil”, reduzir a idade de imputabilidade não resolveria os “problemas de fundo”. Kicillof enfatizou que “não há soluções mágicas” e que é preciso “um esforço integral entre os três poderes do Estado, trabalho sério e planejamento”.
Patricia Bullrich respondeu com dureza. A senadora, que recentemente se mostrou junto à família de Monzón, replicou ao governador de forma categórica: “Não posso acreditar que estou lendo isso. Está claro que não lhe importa nem a segurança nem as vítimas. Sempre do lado dos criminosos”.
Bullrich foi além e questionou diretamente Kicillof: “Vai ter coragem de dizer às famílias que perderam um filho nas mãos de um menor que não precisa mudar a idade de imputabilidade e que não se incomoda que estejam em casa, livres e sem consequências?” Também o instou: “Se está tão convencido do que diz, habilite os comentários e leia os argentinos”.
Durante o desenvolvimento do caso de Monzón, Bullrich utilizou as redes sociais para relacionar o crime à necessidade de reformar a lei. Afirmou que o jovem “foi torturado e assassinado por menores que se filmaram fazendo isso” e denunciou que “hoje dois deles estão livres”. Argumentou ainda que “a Lei Penal Juvenil esteve parada no velho Congresso porque alguns escolheram que não avançasse”.
A agenda legislativa e a incerteza sobre a aprovação
Recentemente, o Governo incluiu um projeto para reformar o Código Penal Juvenil e reduzir a idade de imputabilidade na agenda de sessões extraordinárias de fevereiro. Atualmente, a idade de imputabilidade está fixada em 16 anos. No entanto, sua aprovação não está garantida. Os blocos aliados a La Libertad Avanza e outros que costumam cooperar demonstraram reservas em relação à iniciativa.
O confronto entre Bullrich e Kicillof reflete as tensões profundas que atravessam o sistema de justiça penal juvenil na Argentina. Enquanto Bullrich defende o endurecimento da lei para responsabilizar menores por crimes graves, Kicillof e sua equipe argumentam que as soluções requerem mudanças estruturais mais complexas que vão além da idade de imputabilidade. O caso de Jeremías Monzón continuará sendo o epicentro desse debate acalorado sobre como o país deve responder a delitos cometidos por jovens.
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O polémico confronto entre Kicillof e Bullrich sobre a responsabilidade penal de menores após o crime de Monzón
O assassinato do adolescente Jeremías Monzón reativou um dos debates mais candentes na agenda política argentina: a idade de imputabilidade dos menores de idade. A ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich e o governador de Buenos Aires Axel Kicillof posicionaram-se em lados opostos quanto à questão de se reduzir a idade de responsabilidade penal resolveria os problemas de criminalidade juvenil no país.
Um crime que abalou Santa Fe e reabriu o debate legislativo
Jeremías Monzón, de apenas 15 anos, foi assassinado no final de 2025 em Santa Fe, em circunstâncias que chocaram o país. O jovem foi apunhalado várias vezes por três adolescentes perto do estádio do clube Colón. O que agravou a tragédia foi que os agressores filmaram o crime em vídeo, material que posteriormente foi divulgado nas redes sociais, expondo a extrema violência do ataque.
Segundo dados da investigação, a principal acusada é identificada como M.A., de 16 anos, que era namorada da vítima. Ela foi acompanhada por mais dois jovens de 14 e 15 anos. No vídeo que registraram durante o fato, reclamavam a Monzón que revelasse os nomes de pessoas com quem supostamente tinha compartilhado gravações de uma “festa íntima” do grupo. Essa divulgação teria incomodado a namorada, que organizou o encontro que terminou em tragédia.
A jovem acusada de instigar o assassinato encontra-se detida em um centro fechado para menores em Rosario. No entanto, os dois adolescentes restantes permanecem em liberdade sob custódia de seus pais, pois por sua idade ainda não são penalmente imputáveis segundo a legislação vigente. Essa lacuna legal alimentou o clamor de setores que demandam modificações no regime de responsabilidade penal juvenil.
As mobilizações e o clamor por mudanças legais
A comunidade de Santa Fe e Santo Tomé mobilizou-se para exigir justiça. Os manifestantes também buscavam pressionar o Congresso para que abrisse o debate sobre a alteração da lei que regula a imputabilidade de menores em delitos graves. O advogado da família de Monzón apresentou uma denúncia pela divulgação dos vídeos do crime, enquanto cresciam as vozes que pediam mudanças na normativa.
A escalada política: Kicillof versus Bullrich
Em meio a esse contexto, o ministro da Segurança de Buenos Aires, Javier Alonso, escreveu um artigo argumentando que modificar a idade de imputabilidade “não resolve nada por si só”. O governador Kicillof compartilhou o texto em suas redes sociais com uma mensagem na qual sustentava que, embora “seja necessário um novo Regime de Responsabilidade Penal Juvenil”, reduzir a idade de imputabilidade não resolveria os “problemas de fundo”. Kicillof enfatizou que “não há soluções mágicas” e que é preciso “um esforço integral entre os três poderes do Estado, trabalho sério e planejamento”.
Patricia Bullrich respondeu com dureza. A senadora, que recentemente se mostrou junto à família de Monzón, replicou ao governador de forma categórica: “Não posso acreditar que estou lendo isso. Está claro que não lhe importa nem a segurança nem as vítimas. Sempre do lado dos criminosos”.
Bullrich foi além e questionou diretamente Kicillof: “Vai ter coragem de dizer às famílias que perderam um filho nas mãos de um menor que não precisa mudar a idade de imputabilidade e que não se incomoda que estejam em casa, livres e sem consequências?” Também o instou: “Se está tão convencido do que diz, habilite os comentários e leia os argentinos”.
Durante o desenvolvimento do caso de Monzón, Bullrich utilizou as redes sociais para relacionar o crime à necessidade de reformar a lei. Afirmou que o jovem “foi torturado e assassinado por menores que se filmaram fazendo isso” e denunciou que “hoje dois deles estão livres”. Argumentou ainda que “a Lei Penal Juvenil esteve parada no velho Congresso porque alguns escolheram que não avançasse”.
A agenda legislativa e a incerteza sobre a aprovação
Recentemente, o Governo incluiu um projeto para reformar o Código Penal Juvenil e reduzir a idade de imputabilidade na agenda de sessões extraordinárias de fevereiro. Atualmente, a idade de imputabilidade está fixada em 16 anos. No entanto, sua aprovação não está garantida. Os blocos aliados a La Libertad Avanza e outros que costumam cooperar demonstraram reservas em relação à iniciativa.
O confronto entre Bullrich e Kicillof reflete as tensões profundas que atravessam o sistema de justiça penal juvenil na Argentina. Enquanto Bullrich defende o endurecimento da lei para responsabilizar menores por crimes graves, Kicillof e sua equipe argumentam que as soluções requerem mudanças estruturais mais complexas que vão além da idade de imputabilidade. O caso de Jeremías Monzón continuará sendo o epicentro desse debate acalorado sobre como o país deve responder a delitos cometidos por jovens.