
A moeda BRICS designa um enquadramento unificado proposto para liquidação e contabilização entre os países membros do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Este conceito, mais próximo de uma “plataforma de compensação transfronteiriça” ou “unidade digital de conta” do que de uma nota ou moeda física, visa facilitar canais de liquidação mais eficientes para comércio e investimento entre os membros.
No contexto em causa, “compensação” refere-se ao processo pelo qual os bancos reconciliam contas e garantem a transferência efetiva dos fundos. As discussões sobre a moeda BRICS abrangem tanto a hipótese de uma unidade partilhada de referência como a criação de uma rede internacional de compensação que permita a troca e reconciliação fluída das moedas locais.
Em 2024, não existe qualquer calendário oficial para o lançamento de uma moeda BRICS unificada. O debate incide sobretudo no reforço do uso das moedas locais e na melhoria da eficiência das liquidações transfronteiriças (Fonte: Comunicado da Cimeira BRICS, agosto de 2023).
O interesse na moeda BRICS resulta do crescimento dos volumes de comércio entre os Estados membros, da necessidade crescente de liquidação transfronteiriça eficiente e de uma melhor gestão cambial, bem como do objetivo comum de reduzir a dependência de uma única moeda de reserva. Os principais objetivos são aumentar a eficiência operacional e tornar os riscos financeiros mais controláveis.
As operações de energia e matérias-primas implicam frequentemente ciclos longos de liquidação e múltiplas moedas. Tradicionalmente, isto exige várias conversões cambiais e processamento através de sistemas internacionais, o que implica custos mais elevados e maior demora. Uma unidade de conta comum ou uma rede direta de compensação poderia simplificar estes processos, reduzindo intermediários e aumentando a eficiência da rotação de capital.
Adicionalmente, riscos geopolíticos e incertezas relativas a sanções têm levado estas economias a procurar mecanismos de liquidação mais resilientes. Os líderes do BRICS sublinharam publicamente, em especial em 2023, o compromisso de alargar o uso das moedas locais.
É expectável que a moeda BRICS seja explorada através de diversas abordagens, em vez de um único modelo fixo. As principais propostas dividem-se em quatro tipos:
A moeda BRICS pode ser vista como um circuito fechado de “precificação — câmbio — liquidação — reconciliação”, com o objetivo de garantir a movimentação eficiente e conforme dos fundos.
Exemplo: Uma empresa brasileira importa fertilizante da Rússia e celebra contrato em unidade de conta BRICS. No dia do pagamento, o Brasil converte a sua moeda para a unidade de conta; a rede de compensação encaminha os fundos para o banco russo, que converte para rublos. Este processo reduz conversões sucessivas em USD e encurta o tempo de liquidação.
A relação pode ser descrita como “infraestrutura e veículo”. Uma CBDC (Central Bank Digital Currency) é dinheiro digital emitido por bancos centrais, permitindo liquidação direta entre pares em redes controladas. Caso a moeda BRICS opte por um modelo digital, poderá operar sobre infraestruturas de CBDC.
Por exemplo, o projeto mBridge — um piloto de liquidação transfronteiriça envolvendo vários bancos centrais e o Banco de Pagamentos Internacionais — funciona como laboratório para sistemas de dinheiro digital interoperáveis entre países. Caso o BRICS adote uma estratégia digital, o seu sistema poderá inspirar-se em soluções deste tipo de conectividade multi-CBDC para liquidação.
Em 2024, cada país encontra-se numa fase piloto distinta em matéria de CBDC, estando ainda em desenvolvimento os quadros de governança e conformidade para interoperabilidade transfronteiriça.
Os potenciais impactos incluem alterações nos instrumentos de liquidação preferidos e nos fluxos de capital. Se as liquidações intra-regionais recorrerem mais às moedas locais ou à unidade de conta BRICS, a procura por stablecoin USD poderá diminuir nesses cenários; contudo, a necessidade de liquidação on-chain e de ativos tokenizados pode manter-se.
Uma stablecoin é um token emitido on-chain, suportado por moeda fiduciária ou ativos equivalentes, com o objetivo de manter paridade 1:1 com o seu colateral. No curto prazo, as empresas poderão continuar a utilizar stablecoin para liquidações transfronteiriças devido à sua acessibilidade e rapidez de liquidação.
Se surgir uma versão da moeda BRICS suportada por mercadorias ou indexada a uma cesta de ativos, o mercado centrará atenções na transparência, frequência de auditoria e mecanismos de custódia — fatores determinantes para o interesse dos investidores em tokens estáveis lastreados em ativos.
Em paralelo, o Bitcoin e outros criptoativos poderão ganhar destaque em estratégias de cobertura macroeconómica, mas os seus preços dependem de múltiplos fatores; não é aconselhável fazer previsões simplistas. Quer particulares, quer instituições, devem acompanhar os desenvolvimentos políticos, os requisitos de conformidade e as alterações de liquidez.
Na ausência de uma moeda BRICS unificada, os utilizadores podem reforçar a flexibilidade na gestão de fundos transfronteiriços por métodos em conformidade, mantendo-se atentos a futuros produtos.
Lembrete de risco: Os criptoativos são altamente voláteis; todas as transações transfronteiriças devem respeitar a regulamentação. As transferências on-chain são irreversíveis — verifique sempre endereços e redes; nunca utilize carteiras ou serviços de custódia de chave privada de fontes não fidedignas.
Os desafios centrais situam-se ao nível da governança, da provisão de liquidez e da conformidade. Em matéria de governança, destacam-se a atribuição de direitos de voto e a gestão da diversidade dos membros — questões essenciais para o desenho do sistema.
Os riscos de liquidez surgem se não houver profundidade suficiente nos pools de câmbio ou operações de market making; uma unidade de conta que não possa ser facilmente convertida tem utilidade prática limitada, resultando em spreads alargados ou longos tempos de espera. Se estiver indexada a mercadorias ou cestas de ativos, são necessários mecanismos claros de reequilíbrio e planos de contingência.
Ao nível da conformidade, a gestão de fluxos de dados transfronteiriços, as exigências de combate ao branqueamento de capitais e o cumprimento de sanções requerem normas harmonizadas ou reconhecidas mutuamente. A disposição dos bancos comerciais e grandes empresas para adaptar os seus sistemas é igualmente determinante para a velocidade de adoção.
De acordo com as divulgações públicas de 2024, não existe um calendário definitivo para o lançamento de uma moeda BRICS unificada. O roteiro mais realista passa por expandir primeiro as liquidações em moeda local, enquanto se desenvolvem plataformas de compensação transfronteiriça através de pilotos limitados em categorias de produtos específicas.
Sinais a acompanhar incluem: evolução das declarações oficiais de “apoio de princípio” para “roteiros técnicos detalhados com volumes piloto de compensação”; constituição de grupos de trabalho permanentes entre bancos centrais com normas de integração publicadas; pilotos de interoperabilidade com plataformas como a mBridge ou outros projetos multi-CBDC; casos de demonstração em que contratos de energia ou mercadorias são liquidados via “unidade de conta + moeda local”; bancos comerciais a disponibilizar APIs padronizadas com regras de controlo de risco atualizadas. O surgimento consistente destes indicadores assinalará a transição da discussão para uma implementação de pequena escala.
A moeda BRICS é uma iniciativa monetária internacional liderada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que visa reduzir a dependência do dólar norte-americano — a principal moeda de reserva mundial emitida pelos Estados Unidos. A moeda BRICS destaca a participação conjunta e a tomada de decisão entre mercados emergentes, mas permanece numa fase exploratória sem emissão oficial. As duas diferem significativamente quanto a emissores, usos pretendidos e influência global.
Atualmente, na sua fase conceptual e de investigação, a moeda BRICS não oferece canais diretos de investimento ao retalho. Os investidores individuais podem manter-se informados acompanhando anúncios dos bancos centrais e atualizações políticas dos países relevantes. Em plataformas de referência como a Gate, é possível negociar ativos ligados a estas economias (como moedas digitais nacionais piloto) ou acompanhar instrumentos de financiamento de instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento. Recomenda-se construir primeiro conhecimento de base — aguardar pelo lançamento de esquemas formais antes de ponderar a participação.
A moeda BRICS é uma iniciativa de moeda digital soberana, inserida num enquadramento totalmente distinto das criptomoedas. As moedas digitais de curso legal são emitidas por autoridades governamentais e têm respaldo estatal; as criptomoedas são ativos descentralizados, negociados livremente em mercados abertos. Ambas podem coexistir a longo prazo — a moeda BRICS focando-se na liquidação de comércio internacional, enquanto as criptomoedas mantêm o seu papel como reserva de valor e investimento.
A moeda BRICS permanece em fase de estudo de viabilidade e em pilotos, enquanto os bancos centrais debatem modelos de emissão, mecanismos de liquidação, sistemas cambiais e outros aspetos. Embora os líderes tenham manifestado apoio em várias ocasiões, ainda não existe um calendário concreto para o lançamento — a implementação deverá demorar entre 2 a 5 anos. Os investidores devem acompanhar atentamente as declarações oficiais das cimeiras anuais do BRICS e as atualizações dos bancos centrais.
O objetivo da moeda BRICS é criar um instrumento oficial e estável de liquidação internacional — enquanto as criptomoedas são altamente voláteis e sem regulação estatal, o que as torna inadequadas para planeamento de comércio internacional a longo prazo. A iniciativa BRICS assegura que os países participantes mantêm influência no sistema financeiro global, mitigando riscos associados a moedas de um só país; permite ainda aos bancos centrais gerir a oferta monetária e a estabilidade financeira. Cada abordagem serve propósitos distintos nos respetivos domínios.


