Perde o ímpeto de "Stranger Things"? O empréstimo de 59 mil milhões de dólares da Netflix sugere uma mudança de crescimento em "陌路人"

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A Netflix reportou um desempenho sólido no quarto trimestre de 2025, apoiado por um grande conteúdo, como a última temporada de “Stranger Things”. As receitas aumentaram 18% em relação ao ano anterior, atingindo 12 bilhões de dólares, e o número de assinantes pagos em todo o mundo ultrapassou 325 milhões, com fluxo de caixa livre (FCF) chegando a 1,9 bilhão de dólares. No entanto, a reação do mercado foi fria. Isso porque a empresa anunciou planos de adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) por cerca de 720 bilhões de dólares, financiados em parte por um empréstimo ponte de 590 bilhões de dólares. Essa decisão levou à suspensão temporária de recompra de ações próprias.

Para manter a vantagem na guerra do streaming, a Netflix agora busca transformar-se de uma simples empresa de conteúdo para um “império midiático robusto”. Contudo, essa estratégia ambiciosa também traz riscos financeiros incalculáveis.

Grande mudança na engine de crescimento da Netflix — de “número de usuários” para “melhoria do ARM”

O verdadeiro problema da Netflix não é se seu desempenho é bom ou ruim, mas sim a dificuldade fundamental de “como continuar crescendo a partir de agora”.

Antes, o motor de crescimento da Netflix dependia da expansão por meio da aquisição de novos usuários. Mas, em mercados maduros, o crescimento de usuários começou a desacelerar. Assim, a empresa mudou sua estratégia para focar em aumentar a receita média por usuário (ARM) de seus assinantes existentes. Especificamente, o aumento de preços e o fortalecimento das medidas contra compartilhamento de senhas são os principais pilares dessa mudança.

O negócio de publicidade também faz parte dessa estratégia, mas os resultados têm sido mais limitados do que o esperado. Em 2025, a receita de anúncios ultrapassou 1,5 bilhão de dólares, mas ficou bastante abaixo das previsões iniciais dos investidores institucionais (entre 2 e 3 bilhões de dólares). Além disso, o sistema programático de anúncios ainda está em fase de testes, e, a curto prazo, os espaços publicitários servem mais como uma ferramenta de aquisição de clientes de baixo custo do que uma fonte de receita principal.

Diante desse cenário, a previsão de crescimento da Netflix para 2026 foi significativamente reduzida para 12-14%. Muitos analistas do setor avaliam que a empresa entrou na “era de baixo crescimento”. Apenas melhorias internas na gestão já não são suficientes para manter a narrativa de crescimento de dois dígitos.

Diante dessas limitações, a Netflix começou a buscar uma força motriz externa poderosa, levando à decisão de adquirir a WBD, uma estratégia bastante agressiva.

A espada de dois gumes da aquisição de 720 bilhões de dólares — aumento de dívidas e pressão sobre o fluxo de caixa

A aquisição da WBD transformará a Netflix de uma empresa de tecnologia de ativos leves para uma corporação carregando pesadas dívidas de mídia tradicionais, de um dia para o outro.

Ao levantar um empréstimo ponte de 590 bilhões de dólares, a situação financeira da Netflix se deteriora drasticamente. No quarto trimestre de 2025, a empresa já tinha uma dívida total confirmada de 14,5 bilhões de dólares e 9 bilhões de dólares em caixa. Assim, a dívida líquida era de 5,5 bilhões de dólares. Se o empréstimo de 590 bilhões for efetivado, a dívida total poderá mais que quadruplicar.

Por outro lado, o fluxo de caixa livre (FCF) da Netflix vem crescendo e deve atingir cerca de 11 bilhões de dólares em 2026. Mas há um problema sério: mesmo que a Netflix utilize toda a previsão de 11 bilhões de dólares de FCF em 2026 para pagar dívidas, levará mais de cinco anos para quitar completamente o empréstimo ponte.

Outro ponto de preocupação é que, ao integrar o vasto catálogo de filmes da HBO e da Warner Bros., a pressão sobre a amortização de conteúdo provavelmente aumentará significativamente. Atualmente, a taxa de amortização de conteúdo está em torno de 1,1 vezes, mas essa proporção pode piorar bastante com a fusão.

Ou seja, a Netflix provavelmente precisará, por um período relativamente longo, priorizar o uso de seu fluxo de caixa para pagar juros e dívidas, entrando em um “modo de amortização de dívida”. Se a eficiência na integração dos ativos da WBD ficar aquém do esperado, esse enorme financiamento pode deixar de ser um impulsionador de crescimento e se transformar em um buraco negro que reduz a avaliação da empresa.

Alquimia do universo Harry Potter e DC — a chave do sucesso na integração de IPs

Por que a Netflix está disposta a correr tantos riscos? A resposta está nos ativos de conteúdo extraordinários que a WBD possui.

Desde os estúdios de Burbank até a base em Londres, a WBD detém um portfólio rico em IPs desejados por plataformas de streaming: o universo Harry Potter, os heróis do DC Universe, a alta qualidade do catálogo de dramas da HBO, entre outros. Esses ativos podem preencher de uma só vez a “fenda de conteúdo” que a Netflix tem sido considerada relativamente fraca por possuir.

O verdadeiro valor dessa aquisição não está nos resultados financeiros de curto prazo, mas na capacidade de reescrever o cenário competitivo de médio a longo prazo.

Primeiro, com os IPs da WBD, a Netflix pode fortalecer significativamente sua capacidade de fornecer conteúdo de forma estável, reduzindo a dependência de um único grande sucesso. Segundo, sua rede de distribuição global e sistema avançado de recomendações podem criar oportunidades de monetização sem precedentes para esses IPs.

No entanto, essa realização ideal levará tempo, muito além do ritmo que o mercado espera. Atualmente, o índice preço/lucro (PER) da Netflix está em torno de 26 vezes, refletindo expectativas de crescimento bastante altas.

Para investidores otimistas, as oscilações de preço podem representar uma oportunidade de compra “barata”. Se os IPs da WBD forem bem integrados ao ecossistema de conteúdo da Netflix, um novo ciclo de crescimento pode se iniciar. Por outro lado, investidores mais cautelosos podem interpretar as ações de financiamento de centenas de bilhões de dólares, a suspensão de recompra de ações e a revisão para baixo das perspectivas de crescimento como sinais claros de que a Netflix entrou em uma nova fase de riscos e retornos ampliados.

Essa é a raiz do conflito de opiniões no mercado.

Perspectivas após 2026 — sucesso ou fracasso

No final, o futuro dessa “alquimia de IP” em 2026 ainda é incerto. Quanto valor Harry Potter e outros principais conteúdos da WBD poderão gerar na plataforma da Netflix? Como a empresa lidará com o tempo de integração e a pressão da dívida nesse período? Respostas a essas perguntas levarão pelo menos alguns trimestres para se tornarem claras.

A Netflix agora se encontra numa posição semelhante a um “estranho na vizinhança” do setor de streaming. Manter sua posição consolidada ou apostar audaciosamente na construção de um novo império? Essa decisão terá um impacto decisivo no valor futuro da empresa.

Nota: Esta análise baseia-se em informações públicas e oferece uma avaliação macroeconômica e de mercado, não constituindo aconselhamento de investimento específico.

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