Os preços da memória em alta atingem a cadeia de produção global, afetando desde telemóveis até computadores.

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A descontrolada subida dos preços da memória deixou de ser apenas um problema da indústria de chips. Acabando de se livrar do pesadelo dos inventários do ano anterior, a indústria global de semicondutores encontra-se agora numa crise de custos sem precedentes. Segundo as últimas análises do setor, esta onda de aumento dos preços da memória criou um ciclo de alta em estilo de “super ciclo”, que está a impactar a cadeia de produção de forma sem precedentes, desde o design de ICs e foundries até aos produtos finais de eletrónica de consumo e fabricantes de automóveis.

Impacto na cadeia de abastecimento a montante, fabricantes de IC enfrentam crise de pedidos

Quando os preços da memória disparam, o interesse pelos produtos eletrónicos de consumo começa a diminuir, criando uma contradição que resulta numa situação de “duplo golpe” para a indústria. Os primeiros a sofrerem são os fabricantes de ICs de renome mundial.

Qualcomm e MediaTek, fornecedores principais de smartphones, enfrentam atualmente riscos de revisão de resultados. Especialmente a MediaTek, cuja receita de processadores para smartphones representa mais da metade do seu volume de negócios, sendo que processadores e memória são os dois componentes de maior custo nos telemóveis. Com o aumento significativo dos custos de memória, os fabricantes de telemóveis podem reduzir as compras de processadores ou pressionar os preços de aquisição para controlar os custos totais, o que representa um grande desafio para a MediaTek.

O setor de drivers de IC também enfrenta pressões semelhantes. Empresas taiwanesas como Novatek e sul-coreanas como LX Semicon são apontadas como vítimas desta crise de procura. Os seus pedidos já encolheram de forma definitiva, deixando toda a cadeia de abastecimento a montante numa crise sem precedentes.

Transmissão da pressão de custos, foundries enfrentam dificuldades

As foundries também não estão a passar por bons momentos. Quando a procura final enfraquece, os chips mais antigos, produzidos com processos mais maduros, são geralmente os primeiros a sofrer cortes de pedidos. Empresas como a DB Hitek, especializada em wafers de 8 polegadas, produção de drivers de TV e ICs de gestão de energia, enfrentam uma redução de pedidos e pressão de preços por parte dos clientes, tornando-se vítimas diretas desta crise.

A análise da Reuters indica que o aumento dos preços da memória eleva diretamente os custos de produção dos produtos finais, obrigando as foundries a suportar pressões de ambos os lados — de um lado, custos mais elevados de matérias-primas, e do outro, exigências de preços por parte dos clientes.

Indústria automóvel também não escapa, face a ajustes no design de componentes

A indústria de eletrónica automóvel, que era relativamente estável, também não consegue escapar totalmente desta tempestade. Dados recentes da TrendForce mostram que, devido à escassez de memória e aos preços elevados, algumas fabricantes de automóveis foram obrigadas a redesenhar componentes para lidar com os custos crescentes.

A Infineon já iniciou planos de redução de custos, enquanto a NXP alertou o mercado para uma possível diminuição de pedidos. A Renesas Electronics do Japão anunciou mesmo uma reorganização, incluindo cortes de emprego. Estas ações deixam claro que a subida dos preços da memória já está a afetar profundamente a cadeia de abastecimento global do setor automóvel.

Consumidores pagam a conta, custos de computadores podem disparar

O que mais preocupa é o futuro do mercado de computadores pessoais. A TrendForce estima que, neste trimestre, os preços do DRAM genérico vão aumentar entre 55% e 60% em relação ao trimestre anterior, enquanto o NAND Flash também deverá subir entre 33% e 38%. Estes aumentos surpreendentes irão refletir-se diretamente nos custos de compra dos consumidores.

A fabricante taiwanesa de foundries, Compal, emitiu um aviso de alerta, prevendo que esta crise de preços da memória continuará a afetar toda a indústria. Ainda mais preocupante é o facto de que a proporção do custo da memória no custo total de um computador, atualmente entre 15% e 18%, poderá subir rapidamente para entre 35% e 40%. Isto significa que, no futuro, um terço a dois terços do valor de um computador comprado pelos consumidores será diretamente destinado ao custo da memória.

Esta contínua subida dos preços da memória deixou de ser apenas um problema interno da cadeia de produção, passando a afetar diretamente o bolso de cada consumidor. Desde produtos de alta gama até dispositivos de entrada, ninguém ficará imune a esta tempestade.

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