Tóquio e Canberra reforçam a sua presença militar nas Filipinas

As Filipinas estão a vivenciar uma intensificação sem precedentes das suas parcerias de segurança. Japão e Austrália estão a expandir sistematicamente os seus papéis de defesa na região – uma tendência que se torna evidente num contexto de crescente atividade chinesa no Mar das Filipinas Ocidental e de maior presença militar no Estreito de Taiwan.

Para o Japão, este ano marca um quarto de século desde a sua reorientação estratégica, mas inicialmente os próximos meses serão marcados por uma cooperação intensificada. A visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros Toshimitsu Motegi no início do ano trouxe dois acordos de defesa pioneiros, elevando a parceria a um novo nível.

A arquitetura de segurança modernizada do Japão nas Filipinas

O primeiro acordo, o Acquisition and Cross-Servicing Agreement (ACSA), estabelece a base legal para uma logística de abastecimento sem falhas. Durante operações conjuntas e missões humanitárias, as forças japonesas e filipinas poderão agora aceder reciprocamente a recursos e serviços – um avanço decisivo para a eficiência operacional.

Além disso, o Japão anunciou uma ajuda de segurança de 6 milhões de dólares americanos. Estes fundos destinam-se especificamente à construção de infraestruturas para alojar botes de casco fixo, que o Japão já entregou à Marinha filipina. Este é o primeiro projeto deste género e sinaliza o compromisso de longo prazo de Tóquio com o desenvolvimento de capacidades marítimas nas Filipinas.

O ACSA complementa o Reciprocal Access Agreement (RAA), ratificado no ano anterior, que autoriza ambos os países a estacionar forças militares em território próprio para treino de combate e proteção contra catástrofes. Embora o Japão esteja legalmente limitado a cinco categorias de exportação de armamento – resgate, transporte, aviso, vigilância e desminagem –, utiliza estrategicamente esse espaço de manobra. Até o final de 2025, o Japão prepara-se para exportar um sistema de comando e controlo, concebido como um sistema de defesa aérea. Este sistema integra dados de radares e sensores para a deteção precoce de aviões e mísseis inimigos – uma tecnologia que, desde 2022, funciona de forma complementar aos radares de vigilância aérea já transferidos, melhorando significativamente a interoperabilidade.

A ofensiva de infraestrutura da Austrália nas Filipinas

Paralelamente, a Austrália intensifica a sua presença estratégica. O próximo ano será marcado pela construção de oito projetos de infraestrutura em cinco bases militares em Luzon – todos nas Filipinas, com o objetivo de modernizar as capacidades de defesa locais. Canberra assume a liderança na construção, operação, modernização e manutenção.

Os locais permanecem confidenciais por razões estratégicas. Ainda não há uma estimativa de custos. Contudo, fica claro: a Austrália vê as Filipinas como uma linha de frente potencial de conflitos regionais e investe de acordo. O Australian Strategic Policy Institute analisou sistematicamente esta questão numa recente publicação intitulada “Allies Entwined” e argumenta que é do interesse vital de Canberra apoiar as Filipinas – uma democracia sob ameaça direta – e preservar a ordem regional baseada em regras.

Um novo acordo de cooperação de defesa entre Manila e Canberra, que deverá ser assinado este ano, institucionalizará esta colaboração. O embaixador australiano Marc Innes Brown anunciou que o acordo incluirá monitorização marítima, planeamento de operações conjuntas, cibersegurança e infraestruturas de defesa – com um foco especial no Mar do Sul da China, refletido em patrulhas e manobras conjuntas reforçadas entre Manila e Canberra.

A fraqueza americana na estabilidade regional

Simultaneamente, as Filipinas comemoram 75 anos do Tratado de Defesa Mútua com os EUA – teoricamente, o escudo de proteção mais forte. Mas é precisamente aqui que cresce a incerteza. Os EUA continuam a ser o aliado mais poderoso, o único parceiro com um tratado formal, mas os recentes desenvolvimentos políticos em Washington estão a gerar grande insegurança em Manila.

A ordem internacional baseada em regras, que sustenta o sistema pós-1945, mostra fissuras. Um comentário do político canadiano Mark Carney na Fórum Econômico de Davos tocou na essência: Os poderosos podem fazer o que quiserem, os fracos têm de sofrer o que lhes for imposto. A preocupação central é que o transactionalismo de Trump possa pôr em risco o antigo tratado de proteção de 75 anos.

Por isso, as parcerias de segurança reforçadas com o Japão e a Austrália nas Filipinas são tão importantes. Ambos os países intensificam o seu compromisso. O próximo passo lógico seria uma coordenação ainda mais profunda entre Tóquio e Canberra, para garantir coletivamente a estabilidade regional – independentemente da estratégia calculada de Washington. A questão que permanece é: estas potências médias irão aproveitar esta oportunidade?

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