O serviço de comboios operará normalmente após a conciliação obrigatória do Governo

Nesta quarta-feira à tarde, o Governo decretou a conciliação obrigatória no conflito laboral entre o sindicato La Fraternidad e as principais empresas ferroviárias do país, o que anulou a greve programada para esta quinta-feira, 5 de fevereiro. Assim, o serviço de comboios hoje e nos próximos dias funcionará normalmente, sem as interrupções que a greve anunciada pelos maquinistas teria causado.

A decisão governamental chega após o sindicato ter comunicado um “plano de luta” em resposta à rejeição da proposta económica apresentada pelas operadoras ferroviárias. No entanto, a intervenção estatal suspendeu as ações previstas e estabeleceu um quadro legal para a continuidade do serviço.

Como ficou o serviço de comboios após a decisão governamental?

A conciliação obrigatória, que vigora desde as 00h00 de 5 de fevereiro de 2026, de acordo com a Lei nº 14.786, estabelece um período de 15 dias durante o qual ambas as partes deverão manter a normalidade operacional. Segundo o comunicado oficial do Ministério do Capital Humano, as partes comprometem-se a retroceder a situação ao estado anterior ao conflito e garantir a prestação normal dos serviços, evitando atrasos, cancelamentos ou qualquer tipo de impacto aos utilizadores.

O Governo Nacional informa que intimou o sindicato La Fraternidad, bem como os trabalhadores por ele representados, a revogar as medidas de força adotadas ou anunciadas, e a abster-se de qualquer outra ação que possa afetar a operação habitual do serviço. Esta medida enquadra-se na política governamental de promoção do diálogo social como ferramenta fundamental para a resolução de conflitos laborais.

Os verdadeiros problemas: perda salarial e falta de manutenção nas vias

Para além da suspensão da greve, persistem as preocupações de fundo que motivaram a manifestação sindical. Omar Maturano, secretário-geral do sindicato, fundamentou a medida de pressão na erosão do poder de compra dos operários e acusou o Governo nacional de interferir negativamente nas negociações coletivas.

Em declarações à rádio Splendid AM 990, Maturano afirmou que as autoridades limitaram os acordos paritários, obrigando os trabalhadores a aceitar propostas abaixo das suas expectativas. Segundo as suas cifras, os condutores de comboios perderam entre 50% e 60% do seu salário em termos reais durante o último ano, uma disparidade que reflete como os aumentos concedidos não chegam a compensar a evolução dos preços na economia.

Para além das reivindicações salariais, o sindicato fez sérias advertências sobre as condições técnicas da infraestrutura ferroviária. Maturano destacou que a falta generalizada de manutenção nas vias coloca em risco a segurança operacional e a integridade física dos trabalhadores. Descreveu uma situação crítica nos percursos de carga e passageiros, onde as limitações técnicas obrigam as composições a realizarem os trajetos a velocidades extremamente reduzidas. Mesmo, afirmou que os comboios de carga sofrem descarrilamentos frequentes, o que evidencia o estado deplorável da rede ferroviária.

Desinvestimento e perspetivas de privatização

O sindicato associa o desinvestimento atual a uma possível intenção de facilitar a entrada de capitais privados no sistema ferroviário. Maturano alertou que a deterioração deliberada da infraestrutura responde a um esquema de futuras concessões, onde os investidores privados poderão adquirir os ativos ferroviários a um custo significativamente menor. Segundo a sua análise, uma concessão torna-se mais económica quando os interessados definem as condições de negociação, sem a intervenção regulatória estatal que poderia proteger os interesses públicos.

O que vem a seguir?: o sindicato avisa sobre futuras ações

Embora a conciliação obrigatória suspenda temporariamente as medidas de pressão, La Fraternidad não descarta intensificar as suas ações se o Ministério dos Transportes e as empresas ferroviárias não apresentarem propostas melhoradas nas próximas semanas. Maturano advertiu que, na ausência de respostas satisfatórias às reivindicações salariais e de infraestrutura, realizarão novas manifestações em março, momento em que a atividade económica se normaliza e os estudantes regressam às aulas, o que aumentaria o impacto da interrupção do serviço de comboios.

O líder sindical concluiu caracterizando a situação geral como caótica, apontando que os ativos ferroviários estão a ser deliberadamente negligenciados para facilitar futuras transferências ao setor privado. A tensão entre a continuidade do serviço, a viabilidade económica dos trabalhadores e a estratégia de longo prazo sobre a infraestrutura ferroviária permanece sem resolução após a decisão de conciliação obrigatória.

Conteúdo elaborado com assistência de análise informática.

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