A startup francesa de inteligência artificial Mistral alcançou um salto de crescimento impressionante, com a receita recorrente anual (ARR) a ultrapassar os 400 milhões de dólares, um aumento de 20 vezes em relação a há um ano. Esta empresa, considerada a “OpenAI da Europa”, está a aproveitar uma oportunidade histórica, à medida que empresas e governos europeus procuram alternativas às empresas tecnológicas americanas.
No dia 11 de fevereiro, o Financial Times informou que o cofundador e CEO da Mistral, Arthur Mensch, afirmou que a receita operacional anual (ARR) da empresa já atingiu “mais de 400 milhões de dólares”, enquanto há um ano esse valor era de apenas 20 milhões de dólares.
Mensch revelou que o grupo, com sede em Paris e avaliado em quase 12 mil milhões de euros no ano passado, está a cumprir o plano de ultrapassar a marca de 1 mil milhão de dólares de ARR até ao final deste ano. Este crescimento é impulsionado pelas ações agressivas da Mistral na expansão de clientes empresariais de grande porte, que atualmente já ultrapassam as 100 empresas.
Segundo a reportagem, como uma etapa-chave na estratégia de expansão, a Mistral anunciou na quarta-feira um investimento de 1,2 mil milhões de euros na construção de um novo centro de dados de IA na Suécia. Esta é a primeira instalação deste tipo fora da França, com o objetivo de diversificar a infraestrutura e reduzir a dependência de fornecedores externos. Anteriormente, a Mistral concluiu, em setembro, uma ronda de financiamento de 1,7 mil milhões de euros liderada pelo fabricante holandês de equipamentos de chips, ASML.
A ascensão da Mistral evidencia uma mudança estratégica no mercado europeu, em meio à incerteza geopolítica. Mensch destacou que a Europa já percebeu que a dependência excessiva dos serviços digitais dos EUA é “excessiva e está à beira do colapso”. A Mistral, ao oferecer modelos, software e capacidade computacional totalmente independentes de fornecedores americanos, tenta aproveitar essa necessidade regional para fornecer uma vantagem competitiva a clientes que buscam soberania de dados.
Integração vertical e expansão de infraestrutura
De acordo com a reportagem, a Mistral está a implementar uma estratégia de “integração vertical”, ou seja, a construir e operar os seus próprios centros de dados de IA, em vez de depender exclusivamente de hyperscalers americanos como Amazon, Microsoft e Google para levar os seus produtos ao mercado.
A empresa está a colaborar com a EcoDataCenter na construção de uma instalação na Suécia, que fornecerá 23 MW de capacidade de processamento e deverá estar operacional no próximo ano.
Mensch explicou que a escolha da Suécia como local para hospedar chips de IA de alto consumo energético deve-se ao facto de a energia local ser “não só de baixo carbono, mas também relativamente barata”.
Este modelo de integração vertical ajuda a financiar o treino de chips para os modelos de próxima geração — ou seja, a operação de cargas de trabalho dos clientes durante o dia, treinando novos sistemas de IA à noite. Além disso, oferece aos clientes europeus a segurança de que os seus dados permanecem armazenados em servidores locais.
Mensch prevê que este investimento em infraestrutura criará mais de 2 mil milhões de euros em receitas nos próximos cinco anos, considerando-o um “negócio bastante previsível”.
Demanda por “IA soberana” impulsionada pela geopolítica
A reportagem aponta que os conselhos europeus e as capitais estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de uma “desconexão tecnológica” devido às políticas exteriores dos EUA. Atualmente, mais de 80% dos serviços digitais e infraestrutura da UE dependem de fornecedores estrangeiros, na sua maioria empresas americanas.
Mensch afirmou de forma direta que, se a construção de centros de dados apenas para grandes empresas americanas for a única estratégia, isso não trará benefícios ao nível nacional.
Apesar de os acionistas da Mistral incluírem Microsoft e Nvidia, e de a empresa afirmar que os seus objetivos são globais e não apenas europeus, a sua posição como o único desenvolvedor europeu de modelos de linguagem avançados coloca-a numa posição favorável.
Os clientes da Mistral atualmente incluem a ASML, Total Energies, HSBC, bem como vários governos europeus, incluindo França, Alemanha, Luxemburgo, Grécia e Estónia. Cerca de 60% da receita provém da Europa, o restante de EUA e Ásia.
No que diz respeito à captação de recursos, apesar de concorrentes americanos como OpenAI e Anthropic estarem a preparar-se para uma oferta pública inicial (IPO), Mensch afirmou que a Mistral não precisa de abrir capital este ano.
Ele destacou que o financiamento por dívida disponível garante que a empresa tem fundos suficientes. Quanto à IPO, Mensch afirmou que “é algo que certamente consideraremos nos próximos anos”, para garantir a nossa independência futura.
Não é “conto de fadas”: aplicações empresariais pragmáticas
Apesar de o ChatGPT da OpenAI e o Claude da Anthropic serem os produtos de crescimento mais rápido na história do Vale do Silício, Mensch faz uma avaliação fria do mercado atual.
Ele afirmou que muitos clientes empresariais estão “um pouco desapontados” com os “chatbots prontos”, pois esses produtos têm dificuldade em gerar retorno sobre o investimento. Rejeitou a ideia de um “conto de fadas” de que um sistema único acabará por gerir todos os processos de negócio.
Em relação à venda de ações de fornecedores tradicionais de software, impulsionada pelo surgimento de novos sistemas de IA como o Claude Code, Mensch considera que isso não é “muito racional”. Acredita que essas empresas tradicionais de software, que detêm dados críticos de negócio, não irão desaparecer.
No entanto, alertou que para startups que apenas constroem interfaces de utilizador específicas para setores, o valor “já caiu bastante” — pois a IA atual consegue compreender intenções e gerar interfaces de utilizador necessárias de forma automática.
Aviso de risco e isenção de responsabilidade
O mercado apresenta riscos, e os investimentos devem ser feitos com cautela. Este artigo não constitui aconselhamento de investimento pessoal, nem leva em consideração objetivos, situação financeira ou necessidades específicas de cada utilizador. Os utilizadores devem avaliar se as opiniões, pontos de vista ou conclusões aqui apresentadas são compatíveis com a sua situação particular. Investir com base neste conteúdo é de sua responsabilidade.
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ARR de receita ultrapassa 400 milhões de dólares, o "OpenAI da Europa" tem um aumento de 20 vezes na receita em um ano
A startup francesa de inteligência artificial Mistral alcançou um salto de crescimento impressionante, com a receita recorrente anual (ARR) a ultrapassar os 400 milhões de dólares, um aumento de 20 vezes em relação a há um ano. Esta empresa, considerada a “OpenAI da Europa”, está a aproveitar uma oportunidade histórica, à medida que empresas e governos europeus procuram alternativas às empresas tecnológicas americanas.
No dia 11 de fevereiro, o Financial Times informou que o cofundador e CEO da Mistral, Arthur Mensch, afirmou que a receita operacional anual (ARR) da empresa já atingiu “mais de 400 milhões de dólares”, enquanto há um ano esse valor era de apenas 20 milhões de dólares.
Mensch revelou que o grupo, com sede em Paris e avaliado em quase 12 mil milhões de euros no ano passado, está a cumprir o plano de ultrapassar a marca de 1 mil milhão de dólares de ARR até ao final deste ano. Este crescimento é impulsionado pelas ações agressivas da Mistral na expansão de clientes empresariais de grande porte, que atualmente já ultrapassam as 100 empresas.
Segundo a reportagem, como uma etapa-chave na estratégia de expansão, a Mistral anunciou na quarta-feira um investimento de 1,2 mil milhões de euros na construção de um novo centro de dados de IA na Suécia. Esta é a primeira instalação deste tipo fora da França, com o objetivo de diversificar a infraestrutura e reduzir a dependência de fornecedores externos. Anteriormente, a Mistral concluiu, em setembro, uma ronda de financiamento de 1,7 mil milhões de euros liderada pelo fabricante holandês de equipamentos de chips, ASML.
A ascensão da Mistral evidencia uma mudança estratégica no mercado europeu, em meio à incerteza geopolítica. Mensch destacou que a Europa já percebeu que a dependência excessiva dos serviços digitais dos EUA é “excessiva e está à beira do colapso”. A Mistral, ao oferecer modelos, software e capacidade computacional totalmente independentes de fornecedores americanos, tenta aproveitar essa necessidade regional para fornecer uma vantagem competitiva a clientes que buscam soberania de dados.
Integração vertical e expansão de infraestrutura
De acordo com a reportagem, a Mistral está a implementar uma estratégia de “integração vertical”, ou seja, a construir e operar os seus próprios centros de dados de IA, em vez de depender exclusivamente de hyperscalers americanos como Amazon, Microsoft e Google para levar os seus produtos ao mercado.
A empresa está a colaborar com a EcoDataCenter na construção de uma instalação na Suécia, que fornecerá 23 MW de capacidade de processamento e deverá estar operacional no próximo ano.
Mensch explicou que a escolha da Suécia como local para hospedar chips de IA de alto consumo energético deve-se ao facto de a energia local ser “não só de baixo carbono, mas também relativamente barata”.
Este modelo de integração vertical ajuda a financiar o treino de chips para os modelos de próxima geração — ou seja, a operação de cargas de trabalho dos clientes durante o dia, treinando novos sistemas de IA à noite. Além disso, oferece aos clientes europeus a segurança de que os seus dados permanecem armazenados em servidores locais.
Mensch prevê que este investimento em infraestrutura criará mais de 2 mil milhões de euros em receitas nos próximos cinco anos, considerando-o um “negócio bastante previsível”.
Demanda por “IA soberana” impulsionada pela geopolítica
A reportagem aponta que os conselhos europeus e as capitais estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de uma “desconexão tecnológica” devido às políticas exteriores dos EUA. Atualmente, mais de 80% dos serviços digitais e infraestrutura da UE dependem de fornecedores estrangeiros, na sua maioria empresas americanas.
Mensch afirmou de forma direta que, se a construção de centros de dados apenas para grandes empresas americanas for a única estratégia, isso não trará benefícios ao nível nacional.
Apesar de os acionistas da Mistral incluírem Microsoft e Nvidia, e de a empresa afirmar que os seus objetivos são globais e não apenas europeus, a sua posição como o único desenvolvedor europeu de modelos de linguagem avançados coloca-a numa posição favorável.
Os clientes da Mistral atualmente incluem a ASML, Total Energies, HSBC, bem como vários governos europeus, incluindo França, Alemanha, Luxemburgo, Grécia e Estónia. Cerca de 60% da receita provém da Europa, o restante de EUA e Ásia.
No que diz respeito à captação de recursos, apesar de concorrentes americanos como OpenAI e Anthropic estarem a preparar-se para uma oferta pública inicial (IPO), Mensch afirmou que a Mistral não precisa de abrir capital este ano.
Ele destacou que o financiamento por dívida disponível garante que a empresa tem fundos suficientes. Quanto à IPO, Mensch afirmou que “é algo que certamente consideraremos nos próximos anos”, para garantir a nossa independência futura.
Não é “conto de fadas”: aplicações empresariais pragmáticas
Apesar de o ChatGPT da OpenAI e o Claude da Anthropic serem os produtos de crescimento mais rápido na história do Vale do Silício, Mensch faz uma avaliação fria do mercado atual.
Ele afirmou que muitos clientes empresariais estão “um pouco desapontados” com os “chatbots prontos”, pois esses produtos têm dificuldade em gerar retorno sobre o investimento. Rejeitou a ideia de um “conto de fadas” de que um sistema único acabará por gerir todos os processos de negócio.
Em relação à venda de ações de fornecedores tradicionais de software, impulsionada pelo surgimento de novos sistemas de IA como o Claude Code, Mensch considera que isso não é “muito racional”. Acredita que essas empresas tradicionais de software, que detêm dados críticos de negócio, não irão desaparecer.
No entanto, alertou que para startups que apenas constroem interfaces de utilizador específicas para setores, o valor “já caiu bastante” — pois a IA atual consegue compreender intenções e gerar interfaces de utilizador necessárias de forma automática.
Aviso de risco e isenção de responsabilidade
O mercado apresenta riscos, e os investimentos devem ser feitos com cautela. Este artigo não constitui aconselhamento de investimento pessoal, nem leva em consideração objetivos, situação financeira ou necessidades específicas de cada utilizador. Os utilizadores devem avaliar se as opiniões, pontos de vista ou conclusões aqui apresentadas são compatíveis com a sua situação particular. Investir com base neste conteúdo é de sua responsabilidade.