Tom Lee——De estratega de Wall Street a maior touro do Ethereum

autor: Climber, CryptoPulseLabs

Nos últimos anos, se fosse para escolher alguém de Wall Street que entende melhor como explicar o Ethereum como um ativo macroeconómico, Tom Lee certamente estaria na lista dos primeiros.

Para muitos investidores tradicionais, ele é aquele estratega que repete na mídia que “as ações americanas vão subir, o Bitcoin vai subir, o Ethereum vai subir”; enquanto para os participantes do mercado de criptomoedas, ele é mais como um acelerador de narrativas alternativas. Sempre que o mercado está hesitante, observador ou com humor em baixa, ele costuma usar uma linguagem mais forte, metas de preço mais agressivas, para trazer o Bitcoin e o Ethereum de volta aos holofotes do mainstream financeiro.

Porém, a influência de Tom Lee não surge do nada. Ele não começou no mundo das criptomoedas nem criou sua reputação nas redes sociais, mas é um típico analista de Wall Street. Com uma longa carreira em bancos de investimento e instituições de pesquisa, especializado em ciclos macroeconómicos, fluxos de capital e modelos de avaliação, antes de entrar no setor de criptomoedas já era um frequente nas principais mídias financeiras americanas. Essa combinação de experiência tradicional financeira e crença em ativos digitais faz dele uma das poucas pessoas que consegue ser ouvida por ambos os lados.

  1. Origem em Wall Street: do analista ao estrategista, o percurso padrão

O início da carreira de Tom Lee não é um segredo: seguiu uma trajetória bastante convencional de Wall Street — pesquisa, estratégia, análise macroeconómica, relacionamento com clientes.

A diferença é que muitos estrategistas tornam-se mais cautelosos com o tempo, enquanto Tom Lee tem um estilo justamente oposto — quanto mais avançado, mais ele se sente confortável em expressar opiniões claras, até mesmo transformar suas previsões em produtos de divulgação.

Nos primeiros anos, Tom Lee trabalhou em várias instituições financeiras nos EUA, sendo uma de suas experiências mais relevantes seu cargo de chefe de estratégia de ações na J.P. Morgan.

Durante esse período, ele desenvolveu duas habilidades essenciais: primeiro, transformar variáveis macrocomplexas — como taxas de juros, inflação, dólar, spreads de crédito, lucros corporativos — em opiniões de investimento acionáveis; segundo, comunicar tendências de forma clara para clientes institucionais, de modo que eles se sintam motivados a comprar.

Essas experiências são cruciais porque o mercado de criptomoedas é, essencialmente, altamente narrativo. Os movimentos de preço não são impulsionados apenas por demonstrações financeiras, mas por expectativas macroeconómicas, estruturas de capital e apetite ao risco. A força de Tom Lee está justamente em traduzir linguagem macro para linguagem de mercado.

Portanto, sua fama não vem de ser um influenciador do mundo cripto, mas de ser alguém que conta histórias macroeconómicas.

Ele ganhou reconhecimento amplo após deixar o sistema tradicional de bancos de investimento. Por volta de 2014, fundou, junto com parceiros, a Fundstrat Global Advisors, geralmente abreviada como Fundstrat.

Essa é uma instituição de pesquisa independente, que atua na interseção de análise macro, estratégias de investimento e consultoria de mercado, atendendo tanto fundos institucionais quanto investidores mais amplos.

A fundação da Fundstrat refletiu uma mudança de época: a pesquisa em Wall Street começou a migrar de bancos tradicionais para instituições independentes, e os estrategistas passaram a não atender apenas clientes de bancos, mas a oferecer opiniões diretamente ao mercado.

Foi nesse período que Tom Lee começou a consolidar sua marca pessoal. Sua abordagem é marcada por opiniões fortes, lógica macroeconómica sólida e uma comunicação adequada à disseminação.

Nos primeiros estudos da Fundstrat, seu foco principal ainda era o mercado de ações dos EUA. Sua visão de longo prazo de alta para o bolsa americana é bastante firme, sempre reforçando que o mercado recompensa quem mantém posições por períodos prolongados, além de oferecer previsões claras em momentos-chave.

Embora suas previsões nem sempre sejam precisas, ele tem uma vantagem: consegue decompor o mercado em um quadro compreensível, ao invés de fazer apenas previsões de preço.

  1. Mudança para o universo cripto: um dos impulsionadores da narrativa “Wall Street” do Bitcoin e do Ethereum

O papel de Tom Lee no mercado de criptomoedas pode ser resumido numa frase: ele foi um dos responsáveis por inserir o Bitcoin na narrativa de Wall Street.

Muitos pensam que a entrada de profissionais tradicionais no mercado cripto se deve à busca por lucros rápidos. Mas a lógica de Tom Lee é mais macroeconómica, relacionada à alocação de ativos.

Ele vê o Bitcoin como um novo tipo de ativo de risco, além de uma ferramenta de hedge contra a incerteza do sistema monetário. Especialmente em fases de afrouxamento monetário global e liquidez abundante em dólares, ele frequentemente analisa o Bitcoin junto com ouro, ações de tecnologia e outros ativos de risco, dentro do mesmo quadro.

Um dos argumentos mais citados por ele é que o preço do Bitcoin, a longo prazo, será influenciado pela liquidez global e pelo fluxo de capitais institucionais, e não apenas pelo sentimento de investidores de varejo. Em outras palavras, ele não fala de estratégias de mercado de cripto, mas de lógica de precificação de ativos.

Por exemplo, durante o bull market de 2017, as opiniões públicas de Tom Lee sobre o Bitcoin começaram a aparecer com frequência na mídia financeira mainstream. Sua visão de alta era bastante agressiva, com várias previsões de preços elevados.

Esse estilo, claro, não é novidade no universo cripto, mas é bastante incomum entre estrategistas tradicionais. Por isso, ele rapidamente se tornou uma figura popular na mídia, combinando autoridade do mundo financeiro tradicional com narrativas exageradas do universo cripto.

Porém, quem aposta sempre na alta também é alvo de críticas. Seja em períodos de queda do mercado de criptomoedas ou durante as quedas contínuas do Ethereum, sua reputação de otimista é constantemente questionada.

Na verdade, quanto maior sua fama, maior a controvérsia. Especialmente nos bear markets de 2018 e 2022, suas previsões de alta de longo prazo foram muitas vezes ridicularizadas pelo mercado. Nas redes sociais, ele é frequentemente rotulado de “eterno otimista” ou “rei das previsões de topo”.

Porém, se colocarmos seu papel dentro de uma narrativa mais ampla, essas controvérsias são naturais. Tom Lee não é um trader de curto prazo; é mais um analista de narrativas macroeconómicas. Seu trabalho não é prever preços exatos, mas oferecer um quadro de referência de longo prazo.

Ele costuma destacar conceitos como a escassez do Bitcoin, a estrutura de oferta e demanda ao longo do tempo, o impacto dos ciclos de política monetária global, a reavaliação de ativos com entrada de capitais institucionais, a fraqueza do dólar e o aumento das expectativas de inflação — tudo isso, de forma que soe convincente e fácil de comunicar na TV.

Seus prognósticos podem errar, mas suas narrativas permanecem na memória.

  1. ETH — A visão de Tom Lee sobre o ativo subjacente às finanças on-chain

Muitos investidores otimistas com ETH focam em aspectos tecnológicos, ecológicos, de desenvolvedores, L2, etc. Mas a lógica de Tom Lee para ETH é mais financeira, usando uma avaliação semelhante à de ativos tradicionais.

Na visão dele, o Ethereum desempenha um papel semelhante a uma “camada de liquidação” na blockchain.

Percebe-se que, stablecoins, RWA, empréstimos on-chain e outras aplicações dependem de uma camada de liquidação confiável. Embora várias blockchains disputem esse papel, o Ethereum mantém uma vantagem de longo prazo por sua segurança, ecossistema e reconhecimento institucional.

Para Tom Lee, ETH não é apenas um token de projeto, mas um ativo fundamental de infraestrutura financeira. Enquanto o setor de finanças on-chain continuar a evoluir, o valor do ETH terá uma base de longo prazo para captura de valor.

Além disso, ETH é mais uma ativo de produção do que um ativo puramente especulativo, o que é uma das razões pelas quais ele acredita no potencial de valorização.

O valor do Bitcoin se assemelha ao ouro digital — escassez, proteção contra inflação, reserva de valor.

Já o valor do ETH é mais parecido com um ativo de produção, como uma rede que gera taxas, queima parte dessas taxas para reduzir a oferta, possui mecanismos de staking que conferem uma espécie de “rendimento”, e uma economia vibrante que impulsiona a atividade na rede, elevando a demanda por ETH.

Essa estrutura faz com que o ETH, na visão de Tom Lee, seja um ativo com fluxo de caixa interno, semelhante a uma nova forma de infraestrutura de internet.

Quando o mercado se torna mais institucionalizado, esses ativos que explicam suas fontes de valor tendem a ser preferidos, ao invés de ativos que só sobem por consenso.

Além disso, o ETH possui mecanismos claros de oferta e demanda, como a deflação e o staking.

Após a transição para PoS, o Ethereum introduziu dois mecanismos importantes: staking, que reduz a circulação (bloqueio de ETH), e queima de tokens, que diminui a oferta total (deflação). Isso significa que, enquanto a atividade na rede se mantiver em certo nível, a relação oferta/demanda do ETH pode permanecer apertada a longo prazo.

Isso é raro em ativos tradicionais, pois ações podem recomprar suas próprias ações, mas isso depende de lucros. Ouro tem oferta fixa, mas não pode ser reduzida. O ETH, por sua vez, tem uma oferta que varia com a atividade da rede, criando um modelo econômico auto reforçador.

Por fim, o mais importante: o ETH é uma das principais apostas de narrativa de conformidade regulatória, facilitando sua aceitação por parte de instituições.

Desde cedo, Tom Lee destacou que o mercado de criptomoedas caminharia para uma maior institucionalização e conformidade. Com o surgimento de ETFs, os ativos digitais começaram a integrar as carteiras tradicionais de investimentos.

Para as instituições, o Bitcoin é mais fácil de entender, por sua narrativa simples. Mas, uma vez que o ETH seja incorporado a um quadro regulatório, sua atratividade aumenta rapidamente, pois não é apenas uma reserva de valor, mas uma infraestrutura financeira subjacente à economia on-chain.

As preferências institucionais geralmente envolvem fontes de valor explicáveis, demanda sustentável, maior profundidade de mercado e regras mais claras. O ETH vem atendendo a esses critérios, e essa é uma das razões pelas quais Tom Lee insiste tanto nisso. Quando o mercado de criptomoedas evoluir para a próxima fase, a avaliação do ETH se assemelhará mais à de ativos tradicionais do que a de ativos puramente especulativos.

Conclusão

Portanto, a principal visão de Tom Lee não é de otimismo cego, mas de compreensão do ciclo. Ele não é um influenciador de cripto para apostas de curto prazo, mas um estrategista que insere os ativos digitais em um quadro macroeconómico. Seu otimismo de longo prazo vem do entendimento dos ciclos de ativos de risco. Sua preferência pelo ETH decorre de uma avaliação do ativo financeiro subjacente às finanças on-chain.

Para ele, o Bitcoin é mais como ouro digital, um barômetro da liquidez macro e do apetite ao risco. Já o Ethereum é uma peça central do sistema financeiro on-chain, beneficiária direta da expansão da economia digital futura.

Assim, em um mercado cheio de ruídos, Tom Lee oferece uma forma de pensar mais próxima de instituições e de uma visão de longo prazo. E essa é, justamente, uma habilidade que muitos investidores comuns ainda buscam desenvolver.

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