CIO do conhecido fundo de hedge Gongsong Capital: a bolha de IA ainda terá que esperar até a abertura de capital da OpenAI, não apostando no curto prazo, mas pensando na configuração mundial de 3 a 5 anos
Recentemente, o conhecido fundo de hedge Lone Pine Capital, que gere mais de 19 mil milhões de dólares em ativos, cujo co-CEO de investimentos é David Craver, participou numa entrevista da série “Great Investors” da Goldman Sachs, onde partilhou reflexões profundas sobre as atuais mudanças na estrutura do mercado, o progresso da inteligência artificial (IA) e a sua filosofia de investimento.
Adeus à “visão curta”: refletir sobre o mundo em 3-5 anos
Como um dos representantes do fundo “Tiger Cub”, a Lone Pine Capital tem mantido uma estratégia de alta fundamentada nos fundamentos. Craver observou que a estrutura do mercado já sofreu mudanças fundamentais.
Em comparação com o início da sua carreira, as mudanças mais notáveis no mercado atualmente são duas: primeiro, a volatilidade de uma única ação em torno de eventos está em níveis históricos elevados, muitas vezes desvinculada de notícias qualitativas de fundamentos; segundo, a euforia por avaliações elevadas está a proliferar entre os gigantes.
“Costumava dizer aos meus sócios que, ao ler um comunicado de imprensa, conseguia prever o movimento do preço das ações no dia seguinte, mas isso já não é assim”, afirmou Craver. Devido ao crescimento de investimentos passivos e fundos multi-estratégia, a reação do mercado a informações de curto prazo tende a ser exagerada e irracional.
Neste ambiente, Craver acredita que as verdadeiras oportunidades de “Alpha” vêm de uma zona esquecida — a dimensão temporal.
"Não me preocupo se uma empresa vai superar as expectativas no próximo trimestre; há demasiadas pessoas a fazer esse tipo de ‘luta noturna’ (night fight), tentando prever o movimento de curto prazo com base num conjunto de factos.
O que tento pensar é como será o mundo daqui a três ou cinco anos.
Considerando as mudanças gigantes que estão a acontecer no mundo hoje, é um desafio, mas também uma oportunidade enorme para investidores dispostos a fazer uma pesquisa profunda e manter uma visão de longo prazo."
Ele enfatiza que, se imaginar o mercado de ações como se fechasse amanhã e reabrisse daqui a três anos, “essa questão de que ativos deseja possuir?” consegue filtrar a maior parte do ruído.
Quanto aos “Sete Gigantes” (Mag 7), Craver acredita que há uma forte diferenciação interna:
“Dentro deste grupo, há algumas empresas que considero subvalorizadas nos seus fundamentos, e outras que estão absurdamente sobrevalorizadas.”
Sobre o momento de bolha na IA: talvez seja preciso esperar pela entrada da OpenAI na bolsa
Relativamente à questão mais discutida no mercado — se a IA está a exagerar — Craver dá uma resposta clara: não estamos numa bolha neste momento, embora os gastos de capital sejam enormes, ainda estamos na terceira ou quarta fase de construção.
Ele apresenta três razões principais que sustentam a sua visão otimista sobre a infraestrutura de IA:
Os modelos continuam a “ficar mais fortes e escaláveis”: “Os modelos continuam a melhorar e a expandir-se… quanto mais capacidade computacional lhes der, mais poderosos se tornam, e os casos de uso continuam a crescer.”
A capacidade de computação / inferência ainda é escassa: “De um ponto de vista de capacidade, estamos em falta… as empresas que oferecem inferência na nuvem, hoje, não têm capacidade suficiente.”
As empresas já estão a ver “retornos de valor surpreendentes”: afirmou que, tanto em fundos de private equity como em empresas nativas digitais lideradas por fundadores, os resultados após adoção de IA são “incríveis”.
Craver disse:
“Já conversámos com vários CEOs, que nos disseram: ‘Acredito que posso triplicar a receita do meu negócio, ou mais, e não precisarei de contratar mais ninguém.’ Isto é o começo de tudo.”
Quanto à teoria da bolha, Craver apresenta uma perspetiva contraintuitiva:
"Quando todos pensam que é uma bolha, ela deixa de ser uma bolha.
Só quando passarmos por essa fase, provavelmente quando a OpenAI e a Anthropic se tornarem empresas cotadas, e os casos de uso de IA estiverem em toda parte nas grandes empresas, é que a bolha poderá realmente chegar. Antes disso, ainda há um longo caminho a percorrer."
Próximo tema: “A vingança dos dinossauros”
Craver acredita que a IA está a entrar numa “fase diferente”: inicialmente, mais focada na aposta em infraestrutura, depois a sua adoção irá espalhar-se por aplicações e setores tradicionais.
Se a primeira fase de investimento em IA foi liderada por empresas como Nvidia, que construíram a infraestrutura, Craver acredita que o mercado está prestes a entrar numa fase mais ampla, que ele chama de “A vingança dos dinossauros” (Revenge of the Dinosaurs).
Isto significa que as grandes empresas tradicionais, com fortes vantagens competitivas, irão usar a IA para reduzir custos de forma significativa.
“As maiores empresas irão, nos próximos dois, três ou quatro anos, usar esta tecnologia para reduzir custos de forma substancial.”
“Acredito que em 2027, ouviremos os CFOs dizerem: ‘Acabei de reduzir as despesas anuais em 500 milhões de dólares, graças à implementação desta nova tecnologia.’”
Craver pensa que isto beneficiará não só as ações tecnológicas, mas também os líderes de setores como logística e indústria. Se estas “dinossauros” conseguirem usar a IA para fazer coisas que antes eram impossíveis ou para aumentar drasticamente a eficiência, terão lucros surpreendentes. Não é apenas uma história de infraestrutura, mas uma expansão tecnológica que trará dividendos a toda a indústria.
Segredo de investimento: estar disposto a mudar de opinião, confiar na intuição
No final da entrevista, quando questionado sobre a maior vantagem de ser investidor, Craver não mencionou modelos específicos ou análise de dados, mas sim a flexibilidade de pensamento.
“A minha maior vantagem é estar disposto a mudar de opinião.”
Craver recorda o ensinamento do seu primeiro chefe, o lendário investidor Julian Robertson: “O espelho retrovisor não é a forma de olhar o mundo.” (The rearview mirror is not the way to look at the world.)
Reconhece que, quando os factos mudam, é preciso ter vontade de virar a direção, especialmente numa era de constantes mudanças disruptivas. Isto não é apenas ciência, mas uma arte.
Além disso, partilhou o melhor conselho que recebeu do seu parceiro Steve Mandel, com quem trabalha há 33 anos: “Confie na sua intuição.”
“Steve sempre me diz: Confie na sua intuição. Embora às vezes eu seja mais lento a agir, a minha intuição costuma estar certa.”
Controlo de risco: o método mais eficaz é “conhecer a empresa”
Ao falar de gestão de posições, Craver afirmou que a Lone Pine mantém uma carteira relativamente concentrada. Apesar da grande volatilidade do mercado, ele não usa ferramentas complexas de hedge (como pares de negociação), pois estas muitas vezes envolvem alavancagem elevada.
“A maior forma de mitigar riscos é conhecer bem a sua empresa. Quando sabe qual é a sua vantagem competitiva e as mudanças que estão a ocorrer, consegue manter a calma perante reações exageradas do mercado, e até vê-las como oportunidades.”
Craver conclui que, no atual ambiente macroeconómico, com uma inflação moderada a recuar e o Federal Reserve ainda com espaço para afrouxar, há boas condições para ativos de risco. Com o aumento da produtividade trazido pela IA, ele mantém uma visão otimista para os próximos anos.
Transcrição completa da entrevista:
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CIO do conhecido fundo de hedge Gongsong Capital: a bolha de IA ainda terá que esperar até a abertura de capital da OpenAI, não apostando no curto prazo, mas pensando na configuração mundial de 3 a 5 anos
Recentemente, o conhecido fundo de hedge Lone Pine Capital, que gere mais de 19 mil milhões de dólares em ativos, cujo co-CEO de investimentos é David Craver, participou numa entrevista da série “Great Investors” da Goldman Sachs, onde partilhou reflexões profundas sobre as atuais mudanças na estrutura do mercado, o progresso da inteligência artificial (IA) e a sua filosofia de investimento.
Adeus à “visão curta”: refletir sobre o mundo em 3-5 anos
Como um dos representantes do fundo “Tiger Cub”, a Lone Pine Capital tem mantido uma estratégia de alta fundamentada nos fundamentos. Craver observou que a estrutura do mercado já sofreu mudanças fundamentais.
Em comparação com o início da sua carreira, as mudanças mais notáveis no mercado atualmente são duas: primeiro, a volatilidade de uma única ação em torno de eventos está em níveis históricos elevados, muitas vezes desvinculada de notícias qualitativas de fundamentos; segundo, a euforia por avaliações elevadas está a proliferar entre os gigantes.
“Costumava dizer aos meus sócios que, ao ler um comunicado de imprensa, conseguia prever o movimento do preço das ações no dia seguinte, mas isso já não é assim”, afirmou Craver. Devido ao crescimento de investimentos passivos e fundos multi-estratégia, a reação do mercado a informações de curto prazo tende a ser exagerada e irracional.
Neste ambiente, Craver acredita que as verdadeiras oportunidades de “Alpha” vêm de uma zona esquecida — a dimensão temporal.
Ele enfatiza que, se imaginar o mercado de ações como se fechasse amanhã e reabrisse daqui a três anos, “essa questão de que ativos deseja possuir?” consegue filtrar a maior parte do ruído.
Quanto aos “Sete Gigantes” (Mag 7), Craver acredita que há uma forte diferenciação interna:
Sobre o momento de bolha na IA: talvez seja preciso esperar pela entrada da OpenAI na bolsa
Relativamente à questão mais discutida no mercado — se a IA está a exagerar — Craver dá uma resposta clara: não estamos numa bolha neste momento, embora os gastos de capital sejam enormes, ainda estamos na terceira ou quarta fase de construção.
Ele apresenta três razões principais que sustentam a sua visão otimista sobre a infraestrutura de IA:
Craver disse:
Quanto à teoria da bolha, Craver apresenta uma perspetiva contraintuitiva:
Próximo tema: “A vingança dos dinossauros”
Craver acredita que a IA está a entrar numa “fase diferente”: inicialmente, mais focada na aposta em infraestrutura, depois a sua adoção irá espalhar-se por aplicações e setores tradicionais.
Se a primeira fase de investimento em IA foi liderada por empresas como Nvidia, que construíram a infraestrutura, Craver acredita que o mercado está prestes a entrar numa fase mais ampla, que ele chama de “A vingança dos dinossauros” (Revenge of the Dinosaurs).
Isto significa que as grandes empresas tradicionais, com fortes vantagens competitivas, irão usar a IA para reduzir custos de forma significativa.
Craver pensa que isto beneficiará não só as ações tecnológicas, mas também os líderes de setores como logística e indústria. Se estas “dinossauros” conseguirem usar a IA para fazer coisas que antes eram impossíveis ou para aumentar drasticamente a eficiência, terão lucros surpreendentes. Não é apenas uma história de infraestrutura, mas uma expansão tecnológica que trará dividendos a toda a indústria.
Segredo de investimento: estar disposto a mudar de opinião, confiar na intuição
No final da entrevista, quando questionado sobre a maior vantagem de ser investidor, Craver não mencionou modelos específicos ou análise de dados, mas sim a flexibilidade de pensamento.
Craver recorda o ensinamento do seu primeiro chefe, o lendário investidor Julian Robertson: “O espelho retrovisor não é a forma de olhar o mundo.” (The rearview mirror is not the way to look at the world.)
Reconhece que, quando os factos mudam, é preciso ter vontade de virar a direção, especialmente numa era de constantes mudanças disruptivas. Isto não é apenas ciência, mas uma arte.
Além disso, partilhou o melhor conselho que recebeu do seu parceiro Steve Mandel, com quem trabalha há 33 anos: “Confie na sua intuição.”
Controlo de risco: o método mais eficaz é “conhecer a empresa”
Ao falar de gestão de posições, Craver afirmou que a Lone Pine mantém uma carteira relativamente concentrada. Apesar da grande volatilidade do mercado, ele não usa ferramentas complexas de hedge (como pares de negociação), pois estas muitas vezes envolvem alavancagem elevada.
Craver conclui que, no atual ambiente macroeconómico, com uma inflação moderada a recuar e o Federal Reserve ainda com espaço para afrouxar, há boas condições para ativos de risco. Com o aumento da produtividade trazido pela IA, ele mantém uma visão otimista para os próximos anos.
Transcrição completa da entrevista: