Os viajantes da Geração Z estão a flockar para o Japão em números recorde, e muitos dizem que estão a perseguir algo que já não esperam encontrar em casa: a civilidade quotidiana. Dados de viagens da American Express mostram que as reservas para o Japão entre a Geração Z e os millennials aumentaram 1.300% desde 2019, transformando o país numa fuga idealizada onde os comboios chegam sempre a horas, as ruas estão impecáveis e os estranhos são inexoravelmente educados.
Vídeo Recomendado
O que começou como um interesse de nicho em anime, manga e sushi consolidou-se numa obsessão total para os jovens americanos, especialmente a Geração Z. A Netflix anunciou em 2025 que a visualização de anime triplicou em cinco anos, espelhando um boom de viagens que fez do Japão um dos destinos mais cobiçados num passaporte da Geração Z.
Para muitos visitantes de primeira viagem, Tóquio é uma paragem obrigatória, menos como uma capital histórica e mais como um lugar ideal retratado nos vídeos e programas online que cresceram a assistir em streaming. Em resumo, para a Geração Z, o Japão não é apenas um país fixe para visitar, é um modo de vida e uma fuga romântica, algo como a França ou Itália do século XXI.
Poder suave e um Japão curado
As raízes desta fixação remontam a décadas, à medida que o Japão passou lentamente de uma potência económica para uma superpotência cultural, exportando tudo, desde brinquedos Tamagotchi a Pokémon e Naruto. O cientista político de Harvard Joseph Nye chamou a este tipo de influência “poder suave” — uma sedução silenciosa construída não sobre força militar, mas sobre ideias, estética e entretenimento. Isto acontece mesmo Nye reconhecer que o Presidente Donald Trump está a liderar um declínio notável do poder suave dos EUA.
A antropóloga Merry White descreveu um efeito “Japão, não Japão” ao Deseret News, onde importações outrora exóticas se tornam tão ubiquas que deixam de ser rotuladas como japonesas — pense em ramen, sushi ou hoodies da Uniqlo. Ela destacou que o Japão se infiltrou profundamente na vida diária ocidental, mesmo antes de um carimbo no passaporte.
Um espelho tanto quanto um destino
A ascensão do Japão como destino de sonho da Geração Z também reflete mudanças nas ideias de status. O blogger Noah Smith, um conhecido japanophile, argumentou que onde “qualquer coisa francesa” outrora definia o alto padrão nos EUA, “qualquer coisa japonesa” agora ocupa esse espaço, desde balcões de omakase com estrelas Michelin a artigos de decoração minimalistas. Tóquio tem sido a cidade com mais restaurantes com estrelas Michelin no mundo há mais de 15 anos, reforçando a sua imagem como uma capital global de gosto e requinte.
No entanto, o símbolo mais revelador desta nova paixão pode não ser uma refeição de luxo, mas um sanduíche de salada de ovo numa loja de conveniência ou um onigiri da Lawson, que os jovens viajantes elogiam por serem baratos e consistentemente bons. Ao elevar estes pequenos prazeres ordenados, a Geração Z não está apenas a romantizar o Japão — está a fazer um protesto silencioso contra uma vida pública americana que percebem como desgastada, rude e exaustiva, imaginando, a 10.800 km de distância, como as coisas poderiam funcionar de forma diferente.
Anseio por ordem numa América ansiosa
O desejo da Geração Z pelo Japão já não se resume apenas à cultura pop; está cada vez mais relacionado com a ordem social. Em entrevistas, jovens viajantes descrevem um país que parece “o futuro” — um lugar com comboios de alta velocidade, plataformas de metro imaculadas e lojas de conveniência mais limpas do que alguns restaurantes americanos.
Tóquio, uma das cidades mais densas do mundo, é amplamente vista como notavelmente limpa, apesar de quase não ter contentores de lixo públicos, um detalhe que surpreende muitos visitantes dos EUA. White argumentou que isto reflete um sentido de responsabilidade internalizado, não um medo de punição: as pessoas levam o lixo para casa porque é assim que todos fazem. Contrasta claramente com uma cultura americana onde a cortesia parece opcional, e os espaços públicos podem tornar-se campos de batalha.
Os românticos do Japão podem estar a ignorar algumas desvantagens evidentes, incluindo os 30 anos de dificuldades económicas que se seguiram ao estouro de uma bolha verdadeiramente épica nos anos 90. A Fortune entrevistou Albert Edwards, o estratega da Société Générale famoso pela teoria da “Era do Gelo”, segundo a qual o resto do mundo está condenado a ver as suas bolhas financeiras rebentar e entrar numa era de estagflação e dívidas massivas que nenhum crescimento consegue resolver. (Edwards moderou a sua tese da Era do Gelo nos últimos anos.) Além disso, Owen Lamont, da Acadian Asset Management, disse recentemente à Fortune que, embora a bolha das dotcoms fosse bastante problemática, tinha um índice Shiller CAPE de 40, contra os 90 do Japão no final dos anos 80, o que significa que essa bolha era aproximadamente o dobro da americana.
Além disso, a fascinação da Geração Z pelo Japão, principalmente como um desejo de civilidade em contraste com uma América caótica e rude, simplifica demasiado as realidades do país que estão a visitar. Risco de transformar o Japão numa figura moral para os EUA, em vez de se envolverem com motivações mais fundamentadas, como influência pop, comida, acessibilidade e o desejo básico de ver algo novo.
Procura sensorial
A atração pode não estar tanto na moral do Japão, mas no fascínio pela sua cultura pop e comida de tirar o fôlego. Pesquisas de viagem mostram consistentemente que a Geração Z e os millennials são fortemente influenciados pelos media, não necessariamente por filosofia moral. A American Express observa que a maioria dos respondentes da Geração Z e dos millennials afirmou que um programa de TV, um filme ou conteúdo de redes sociais os inspirou a visitar um destino — um fenómeno chamado “set-jetting”. Anime, J-pop, jogos, moda e ruas Instagramáveis fazem do Japão um lugar familiar e visualmente distinto, uma atração poderosa por si só.
A comida é outro grande impulsionador: Pesquisas mostram que quase metade dos viajantes da Geração Z e dos millennials planeou uma viagem inteira em torno de um restaurante ou festival de comida específico, e a reputação do Japão por comida de conveniência de alta qualidade, ramen, sushi e jantares com estrelas Michelin encaixa perfeitamente nesse apetite.
A segurança é, sem dúvida, parte do apelo. A Berkshire Hathaway Travel Protection classifica o Japão como o nono país mais seguro do mundo e o número 1 em segurança contra crimes e no transporte público, reforçando a sua imagem como um lugar onde uma viagem de comboio à noite ou uma caminhada sozinho parecem rotineiras, não arriscadas. Para uma geração criada com vídeos virais de brigas de ar-roubo e crises de atendimento ao cliente, a tranquilidade de um comboio japonês — sem chamadas telefónicas altas, sem lixo a transbordar — parece quase uma ficção aspiracional.
Jovens americanos, muitas vezes céticos em relação às instituições em casa, parecem surpreendentemente confortáveis com a complexa rede de expectativas sociais do Japão, desde a reverência até à separação do lixo em várias categorias. Em vez de verem estas normas como opressivas, muitos as interpretam como um acordo comum que torna a vida em multidão suportável — e isso, dizem, é exatamente o que falta nos Estados Unidos.
Para esta reportagem, os jornalistas da Fortune usaram IA generativa como ferramenta de pesquisa. Um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.
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Como o Japão substituiu a França como o país que os jovens americanos obsessivamente romantizam—eles anseiam por civilidade que não veem em casa
Os viajantes da Geração Z estão a flockar para o Japão em números recorde, e muitos dizem que estão a perseguir algo que já não esperam encontrar em casa: a civilidade quotidiana. Dados de viagens da American Express mostram que as reservas para o Japão entre a Geração Z e os millennials aumentaram 1.300% desde 2019, transformando o país numa fuga idealizada onde os comboios chegam sempre a horas, as ruas estão impecáveis e os estranhos são inexoravelmente educados.
Vídeo Recomendado
O que começou como um interesse de nicho em anime, manga e sushi consolidou-se numa obsessão total para os jovens americanos, especialmente a Geração Z. A Netflix anunciou em 2025 que a visualização de anime triplicou em cinco anos, espelhando um boom de viagens que fez do Japão um dos destinos mais cobiçados num passaporte da Geração Z.
Para muitos visitantes de primeira viagem, Tóquio é uma paragem obrigatória, menos como uma capital histórica e mais como um lugar ideal retratado nos vídeos e programas online que cresceram a assistir em streaming. Em resumo, para a Geração Z, o Japão não é apenas um país fixe para visitar, é um modo de vida e uma fuga romântica, algo como a França ou Itália do século XXI.
Poder suave e um Japão curado
As raízes desta fixação remontam a décadas, à medida que o Japão passou lentamente de uma potência económica para uma superpotência cultural, exportando tudo, desde brinquedos Tamagotchi a Pokémon e Naruto. O cientista político de Harvard Joseph Nye chamou a este tipo de influência “poder suave” — uma sedução silenciosa construída não sobre força militar, mas sobre ideias, estética e entretenimento. Isto acontece mesmo Nye reconhecer que o Presidente Donald Trump está a liderar um declínio notável do poder suave dos EUA.
A antropóloga Merry White descreveu um efeito “Japão, não Japão” ao Deseret News, onde importações outrora exóticas se tornam tão ubiquas que deixam de ser rotuladas como japonesas — pense em ramen, sushi ou hoodies da Uniqlo. Ela destacou que o Japão se infiltrou profundamente na vida diária ocidental, mesmo antes de um carimbo no passaporte.
Um espelho tanto quanto um destino
A ascensão do Japão como destino de sonho da Geração Z também reflete mudanças nas ideias de status. O blogger Noah Smith, um conhecido japanophile, argumentou que onde “qualquer coisa francesa” outrora definia o alto padrão nos EUA, “qualquer coisa japonesa” agora ocupa esse espaço, desde balcões de omakase com estrelas Michelin a artigos de decoração minimalistas. Tóquio tem sido a cidade com mais restaurantes com estrelas Michelin no mundo há mais de 15 anos, reforçando a sua imagem como uma capital global de gosto e requinte.
No entanto, o símbolo mais revelador desta nova paixão pode não ser uma refeição de luxo, mas um sanduíche de salada de ovo numa loja de conveniência ou um onigiri da Lawson, que os jovens viajantes elogiam por serem baratos e consistentemente bons. Ao elevar estes pequenos prazeres ordenados, a Geração Z não está apenas a romantizar o Japão — está a fazer um protesto silencioso contra uma vida pública americana que percebem como desgastada, rude e exaustiva, imaginando, a 10.800 km de distância, como as coisas poderiam funcionar de forma diferente.
Anseio por ordem numa América ansiosa
O desejo da Geração Z pelo Japão já não se resume apenas à cultura pop; está cada vez mais relacionado com a ordem social. Em entrevistas, jovens viajantes descrevem um país que parece “o futuro” — um lugar com comboios de alta velocidade, plataformas de metro imaculadas e lojas de conveniência mais limpas do que alguns restaurantes americanos.
Tóquio, uma das cidades mais densas do mundo, é amplamente vista como notavelmente limpa, apesar de quase não ter contentores de lixo públicos, um detalhe que surpreende muitos visitantes dos EUA. White argumentou que isto reflete um sentido de responsabilidade internalizado, não um medo de punição: as pessoas levam o lixo para casa porque é assim que todos fazem. Contrasta claramente com uma cultura americana onde a cortesia parece opcional, e os espaços públicos podem tornar-se campos de batalha.
Os românticos do Japão podem estar a ignorar algumas desvantagens evidentes, incluindo os 30 anos de dificuldades económicas que se seguiram ao estouro de uma bolha verdadeiramente épica nos anos 90. A Fortune entrevistou Albert Edwards, o estratega da Société Générale famoso pela teoria da “Era do Gelo”, segundo a qual o resto do mundo está condenado a ver as suas bolhas financeiras rebentar e entrar numa era de estagflação e dívidas massivas que nenhum crescimento consegue resolver. (Edwards moderou a sua tese da Era do Gelo nos últimos anos.) Além disso, Owen Lamont, da Acadian Asset Management, disse recentemente à Fortune que, embora a bolha das dotcoms fosse bastante problemática, tinha um índice Shiller CAPE de 40, contra os 90 do Japão no final dos anos 80, o que significa que essa bolha era aproximadamente o dobro da americana.
Além disso, a fascinação da Geração Z pelo Japão, principalmente como um desejo de civilidade em contraste com uma América caótica e rude, simplifica demasiado as realidades do país que estão a visitar. Risco de transformar o Japão numa figura moral para os EUA, em vez de se envolverem com motivações mais fundamentadas, como influência pop, comida, acessibilidade e o desejo básico de ver algo novo.
Procura sensorial
A atração pode não estar tanto na moral do Japão, mas no fascínio pela sua cultura pop e comida de tirar o fôlego. Pesquisas de viagem mostram consistentemente que a Geração Z e os millennials são fortemente influenciados pelos media, não necessariamente por filosofia moral. A American Express observa que a maioria dos respondentes da Geração Z e dos millennials afirmou que um programa de TV, um filme ou conteúdo de redes sociais os inspirou a visitar um destino — um fenómeno chamado “set-jetting”. Anime, J-pop, jogos, moda e ruas Instagramáveis fazem do Japão um lugar familiar e visualmente distinto, uma atração poderosa por si só.
A comida é outro grande impulsionador: Pesquisas mostram que quase metade dos viajantes da Geração Z e dos millennials planeou uma viagem inteira em torno de um restaurante ou festival de comida específico, e a reputação do Japão por comida de conveniência de alta qualidade, ramen, sushi e jantares com estrelas Michelin encaixa perfeitamente nesse apetite.
A segurança é, sem dúvida, parte do apelo. A Berkshire Hathaway Travel Protection classifica o Japão como o nono país mais seguro do mundo e o número 1 em segurança contra crimes e no transporte público, reforçando a sua imagem como um lugar onde uma viagem de comboio à noite ou uma caminhada sozinho parecem rotineiras, não arriscadas. Para uma geração criada com vídeos virais de brigas de ar-roubo e crises de atendimento ao cliente, a tranquilidade de um comboio japonês — sem chamadas telefónicas altas, sem lixo a transbordar — parece quase uma ficção aspiracional.
Jovens americanos, muitas vezes céticos em relação às instituições em casa, parecem surpreendentemente confortáveis com a complexa rede de expectativas sociais do Japão, desde a reverência até à separação do lixo em várias categorias. Em vez de verem estas normas como opressivas, muitos as interpretam como um acordo comum que torna a vida em multidão suportável — e isso, dizem, é exatamente o que falta nos Estados Unidos.
Para esta reportagem, os jornalistas da Fortune usaram IA generativa como ferramenta de pesquisa. Um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.
**Junte-se a nós na Fortune Workplace Innovation Summit **de 19 a 20 de maio de 2026, em Atlanta. A próxima era de inovação no local de trabalho já chegou — e o manual antigo está a ser reescrito. Neste evento exclusivo e de alta energia, os líderes mais inovadores do mundo vão reunir-se para explorar como a IA, a humanidade e a estratégia convergem para redefinir, mais uma vez, o futuro do trabalho. Inscreva-se já.